Um grão de areia

Amanda%2BPieranti%2BBarra Um grão de areia

Hoje decidi falar de proporções. Sim, as que damos aos nosso problemas. Seriam eles maiores ou menores do que estamos enxergando? Bem verdade é que ao avistá-los eles são monstruosos. Tão grandes que a gente fica sufocado com sua imensidão. E aí parece que só os enxergamos e tudo o que se tem a fazer é atacá-los com  nossa máxima força.

Se for no campo sentimental, então, sai da frente. A gente vê o lado de lá nebuloso e se sente pequena diante da impotência da não-resolução. E ferve por dentro. Igual a um caldeirão. Porque a vontade que se tem é a de matar o outro. Metaforicamente. Mas de arrasar. Esquartejar o inimigo. Sem medo de carregar na tinta.É preciso expulsar  o que se sente de ruim dentro de nós. E a nossa defesa é sair vomitando tudo.

Mas nada como um dia após o outro. O tufão vai virando vendaval e os ventos começam a soprar a nosso favor. E você vê que o que antes o incomodava imensamente, ou seja, quase te engolia de tanta tristeza e decepção, agora não te incomoda. Você colocou na balança da razão o que você tinha e viu que não tinha era nada. E nada menos nada é igual a nada.

Você viu também que as migalhas com as quais se alimentava não estavam mais lhe nutrindo. E a sede de querer só o bom e o que é o ideal era maior que o contentamento com as sobras. E seu coração vai amainando, o coração vai ficando em ordem, os pensamentos clareiam de tal forma que você tem a certeza de que gastou energia demais com um assunto, agora, tão insignificante. E você não perdeu. Você ganhou!

Passou, como passa tudo na vida. O bom e o ruim. O ruim, melhor ainda, porque se fosse assim por muito tempo ninguém aguentaria de tanta dor e sofrimento. E o bom? Ah, o bom pode vir a ser melhor que nem fará com que você lembre do que foi “bom” outrora. O grande problema era, então, um grão de areia, na praia infinita dos sentimentos. Grãozinho esse que se você procurar não vai achar porque vai voar para longe ou vai se perder em meio aos outros. De que tamanho é o seu problema? Pare e analise. Coloque na balança o que é bom para você. E veja-o se transformar em coisas cada vez mais insignificantes. Nossa capacidade de se reerguer é infinitamente maior do que pensamos.

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