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O Discurso do Presidente

O Discurso do Presidente

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Por Aurélio  Wander* –  Professor Emérito da Unirio, mestre em Ciências Jurídicas, advogado e Doutor em Ciências Políticas – Colunista convidado.
Imediatamente após  a divulgação dos resultados eleitorais em que se esperava que o Presidente Luis Inácio Lula da Silva viesse a ganhar com 2% dos votos à frente do outro candidato, quem passou a frente foi o filho de Jair Bolsonaro.
 Na verdade, mais do  que uma indicação numérica significa que o  Presidente da República  ou o seu entorno de analistas e cientistas político perderam o alcance dos resultados eleitorais  por não fazerem uma leitura  eficiente do quadro político e social brasileiro.
 Em primeiro  lugar não mostraram ao Presidente  que ele não deveria atuar como analista político,  como analista de seu próprio governo, nem muito menos como agente de implementação  de projetos de Estado isoladamente sem visão do ambiente .
 Faltou o “compadrio”, no sentido positivo da palavra. Em segundo lugar, em muitos momentos, a parte da imprensa levantou a necessidade de se fazer alianças ,abrir o leque de seus aliados no processo para a centro- esquerda ou mesmo para o Centrão,  mas ele estava convencido em sua força partidária(e de governo), e se negou  a fazer as alianças imprescindíveis ao  reconhecimento  de sua politica, diante    da sua própria estrutura de governo. Pois foram 12 anos de governo .
 Por outro lado, em terceiro lugar, eu próprio levantei a hipótese,  antes das eleições de 4 de outubro, sobre  a imprescindível  necessidade de convidar para o trabalho eleitoral de ponta o Vice Presidente,Geraldo Alkmin, o homem certo para a hora incerta, um social liberal que ele trouxe para o seu governo depois de muitas manifestações contrárias.
 Geraldo Alkmim deveria estar na coordenação da campanha.  Mas, o Presidente preferiu deixar o vice de lado. Ele seria  o  analista,  portador de um discurso que alcançaria diversos   setores da sociedade, mas isso não aconteceu.
 Na noite de domingo, depois de dois ou três movimentos, com a insatisfação batendo à sua porta, depois de varias idas e vindas , resolveu  efetivamente deixá-lo ao seu lado, mas, agora,  temos, todos que correr, para não ser tarde. O segundo turno será em 25 de outubro.
 Agora, o candidato a Presidente Inácio Lula  da Silva, parte para um quarto mandato e  precisará enfrentar,  no futuro, o Congresso, com maioria,  quase absoluta,  no Senado, de políticos ligados a Bolsonaro.
 O quadro de ódio e vingança, de agora por diante, é gravissimo, e, mesmo,  com Geraldo  Alkmin mais perto, o seu espaço está limitado , com a recomposição de forças, mesmo que ainda não ocupem,  até Janeiro de 2027, o poder.
  Não quero dizer que faltou alcance da  liderança ,mas não posso deixar de afirmar que os senhores da nação não souberam ler e definir  estratégias que compreendessem a complexidade da situação política brasileira.
 Lula foi à luta com a sua biografia.  Lula acreditou na sua biografia. Ele nunca tinha enfrentado,  desse modo, a extrema direita.
 Falta apenas uma simples pergunta, como no poema de Carlos Drumond de Andrade : e agora José?