Quem terá coragem de enfrentar os juros?
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Em dezembro de 1962, meu pai, João Pinheiro Neto, ministro do Trabalho de João Goulart, foi exonerado depois de denunciar publicamente a atuação de Roberto Campos, embaixador brasileiro em Washington, e as condições impostas ao Brasil nas negociações com o Fundo Monetário Internacional.
Meu pai advertia que, com Roberto Campos em Washington, a independência econômica brasileira estaria comprometida e os rumos da economia seriam ditados pelo sistema financeiro internacional.
Jango pediu sua demissão, não necessariamente por discordar de suas posições, mas porque o país atravessava delicadas negociações internacionais.
Além disso, Jango ainda governava sob o parlamentarismo que lhe fora imposto em 1961, como condição para assumir a Presidência.
Meu pai advertia que, com Roberto Campos em Washington, a independência econômica brasileira estaria comprometida e os rumos da economia seriam ditados pelo sistema financeiro internacional.
Jango pediu sua demissão, não necessariamente por discordar de suas posições, mas porque o país atravessava delicadas negociações internacionais.
Além disso, Jango ainda governava sob o parlamentarismo que lhe fora imposto em 1961, como condição para assumir a Presidência.
Meu pai recusou-se a pedir demissão. Foi exonerado.
Roberto Campos defendia a aproximação com os Estados Unidos e o capital internacional. Uma visão que, na avaliação do meu pai, perpetuaria nossa condição de país periférico e dependente.
Mais de sessenta anos depois, continuamos enfrentando o mesmo dilema.
Hoje, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de juros reais, com 8,45% ao ano, segundo levantamento de setembro de 2026.
Roberto Campos defendia a aproximação com os Estados Unidos e o capital internacional. Uma visão que, na avaliação do meu pai, perpetuaria nossa condição de país periférico e dependente.
Mais de sessenta anos depois, continuamos enfrentando o mesmo dilema.
Hoje, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de juros reais, com 8,45% ao ano, segundo levantamento de setembro de 2026.
Superamos até mesmo a Rússia, país em guerra há mais de quatro anos, que aparece em segundo lugar, com 6,79%.
O rentismo tornou-se um obstáculo ao desenvolvimento. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e agravam o endividamento das famílias.
Enquanto isso, discutimos candidatos, slogans e promessas de prosperidade.
O candidato derrotado da direita propôs alinhamento aos Estados Unidos, sem explicar como iria preservar nossa autonomia econômica. Perdeu a eleição.
Não se trata de hostilidade aos americanos, mas de defender os interesses nacionais.
Precisamos de crédito para produzir, juros compatíveis com o desenvolvimento e uma política econômica que não privilegie o rentismo.
É preciso ter coragem para enfrentar os interesses financeiros e apresentar um verdadeiro projeto nacional de desenvolvimento.Foto Washington, abril de 1962. João Goulart cumprimenta John F. Kennedy. À esquerda, Roberto Campos, embaixador brasileiro nos Estados Unidos.
O rentismo tornou-se um obstáculo ao desenvolvimento. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e agravam o endividamento das famílias.
Enquanto isso, discutimos candidatos, slogans e promessas de prosperidade.
O candidato derrotado da direita propôs alinhamento aos Estados Unidos, sem explicar como iria preservar nossa autonomia econômica. Perdeu a eleição.
Não se trata de hostilidade aos americanos, mas de defender os interesses nacionais.
Precisamos de crédito para produzir, juros compatíveis com o desenvolvimento e uma política econômica que não privilegie o rentismo.
É preciso ter coragem para enfrentar os interesses financeiros e apresentar um verdadeiro projeto nacional de desenvolvimento.Foto Washington, abril de 1962. João Goulart cumprimenta John F. Kennedy. À esquerda, Roberto Campos, embaixador brasileiro nos Estados Unidos.


