Flávio chorar com o pai
Condomínio Solar Brasília. Rua vazia. Sol alto e forte. Toca a ruidosa campainha da porta da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segurança vai atender. É um homem maltrapilho, barba por fazer, cabelo desalinhado, óculos escuros. Voz fraca e nervosa. O cidadão diz que quer falar com o dono da casa. Bolsonaro vai até a porta e fica perplexo. É Flávio Bolsonaro. Abraça o filho e indaga, “que roupa suja é essa, entra”. Flávio cai no choro, “pai, Lula ganhou, estou perdido. “Para de chorar, seja homem. Saiba perder”, dispara um impaciente Bolsonaro. Lembrando aquele presidente golpista que reuniu embaixadores estrangeiros para dizer que as urnas do pleito presidencial estavam fraudadas. “Pai vou tentar anular as eleições”, Flavinho tenta ser firme e altivo: “Me ajuda, pai, diga o que devo fazer”, suplica Flavinho. O pai começa a ficar vermelho de raiva. Pede para a empregada trazer seu lanche favorito, pão francês com leite condensado. Comendo Jair pensa melhor. Flavinho continua inconsolável. Se agarra no pai e chora sem parar. “Não posso nem fugir do Brasil, como estava nos meus planos. Alexandre de Moraes mandou entregar meus passaportes para a Policia Federal”. Lembro que Flavinho é réu em vários processos no Supremo Tribunal Federal(STF). Final de janeiro fica sem mandato. Poderá ser preso. Jair mastiga o pão com leite condensado. De repente, dar um murro na mesa e dispara: “você sempre foi arrogante e debochado em tudo. Errou muito na campanha. Para de tentar imitar seu pai em tudo. Exagera, as vezes não dar certo. Como agora”. Jair sentencia, abraçado e afagando os cabelos do filho mais velho chorão: “Se bobear você vai acabar na Papuda”, com tornozeleira eletrônica como seu velho pai”.


