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E agora, Lula?

E agora, Lula?

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Por Aurelio Wander Bastos –  Professor Emérito da Unirio, jurista, Mestre em Ciências Jurídicas e Doutor em Ciências Políticas – Colunista convidado.
Escrevi, nessa virada eleitoral, alguns artigos defendendo a necessária articulação entre o PT e os grupos políticos de centro -esquerda.  E,  sobre a necessaria transição política para uma política de desenvolvimento que ficou na mesma agenda progressista.
  É injustificável, um país com um superávit comercial de cerca 70 bilhões de dólares, crescer   3,5% ao ano. E, a pobreza crescendo em ritmo acelerado, vítima da  revolução do computadores,  sem planejamento.
 Resta verificar se o Lula eleito Presidente com um arco informal,  mas criativo,  de alianças vai conseguir fazer com que essa questão seja pensada na transição.
 O arco está na abertura ideológica subsequente, desamarrada dos critérios burocráticos. Superado o seu terceiro mandato,  Lula e o seu governo precisam vencer o desgaste das lideranças do PT e buscar outros aliados com novos ângulos de visão sem perder o foco na necessidade de beneficiar o povo humilde.
 Os benefícios para o povo não são a causa da crise,  atravessada pela carga tributária. pelos  juros altos e pela crise fiscal. Lula precisa do apoio daqueles que querem e sabem enfrentar os fenômenos da economia. A derrota no primeiro turno chegou a ser um possível prenúncio de uma derrota – que,  não houve- , no segundo turno.
  Lula permitiu, com sua inteligência política e percepção, que a presença de Geraldo Alckmin tivesse importância nos palanques do segundo turno.  Fez um discurso concatenado com os reais problemas brasileiros,  venceu a insegurança  da incerteza e admitiu
a colaboração  de um especialista em comunicação pelas redes sociais, o excelente André Janones. Modernizou e venceu o processo eleitoral.
 É imprescindível que Lula traga para o seu governo esses dois nomes, Geraldo Alckmin e André Janones. Que eles tenham  posição ministerial  importante, na linha de preservar o  futuro do próprio governo.
 Janones, pela técnica digital, e Alckmin,   pela competência, alcance político e abertura ideológica. Os dois poderão ajudar Lula a fortalecer a  abertura. política,  por um país mais moderno, aberto não apenas a outras linhas e conexões,  mas  criando  um país modelo no mundo.
 O PT perdeu no primeiro turno, mas aprendeu a lição, no segundo turno. Ganhou, somando em varias frentes,  em uma frente ampla que  não assumiu o monolitismo  da primeira rodada.
  Lula venceu aqui com uma abertura para a ousadia de um deputado federal da REDE ( Janones ),  no papel de um exército de captação de votos. Geraldo Alkmim, junto com o Partido Socialista Brasileiro e todos os partidos da base do governo, somando-se aos idosos,  que se mobilizaram no Centro-sul e  à juventude,  que se mobilizou, repetindo o fenômeno histórico das passeatas da Paulista e da Rio Branco, à população do nordeste,  que vai merecer mais do que  a transposição do Rio São Francisco. Não podemos esquecer da Bahia, terra de meu antigo professor na Universidade de Brasília, o jurista, sociólogo e filósofo  Antônio Luiz Machado Neto ( 1930-1977).
  Este novo governo Lula não pode ser exclusivamente petista, mas do povo brasileiro, com o apoio dos representantes da intelectualidade, que se engajaram em todas as suas frentes para formar um amplo leque. No que se refere ao papel  de Geraldo Alkmin, ele merece um destaque especial. Temos  que considerar que ele saiu da  luta política e de uma trajetória que o  trouxe  para o lado de Lula.
 O  primeiro momento da história política de Geraldo Alckmin ocorreu com o processo de redemocratização, quando era o vice de Mário Covas, governador de São Paulo.
 Alckmin substituiu Mário Covas, quando o então governador adoeceu.  E, foi reeleito ,em 2002.
 Em março de 2006, Alckmin afastou-se do governo de São Paulo para concorrer à presidência da República e foi derrotado pelo presidente Lula, no segundo turno.
  Quando voltou a se candidatar a governador de São Paulo, na eleição do presidente de 2010, foi eleito e reeleito, em 2014. Dedicou-se, basicamente, a melhorar as condições de transporte do Estado e teve papel destacado com a criação dos restaurantes populares,  de grande efeito, na capital e a criação da Universidade  Virtual de São Paulo, ampliando o processo de democratização e o acesso ao ensino. Enfrentou, com sucesso, os cartéis de trens de ferro e de outros meios de transporte que prosperaram desde a ditadura. Circunstancialmente,  a sua  personalidade política vinha evoluindo em uma linha que o classifica como  progressista. Foi buscar a força  do mais antigo  parido brasileiro,  o PSB, onde estavam históricos membros da social democracia brasileira .
 No terceiro governo Lula, o  papel de Geraldo Alckmin foi discreto, ele exerceu, ainda,  o  cargo de ministro do Desenvolvimento Indústria e Comercio, de Lula. Sempre ponderado,  mostrou sua habilidade na área econômica com um discurso firme, coerente e firme.
 É muito importante, também, que o Exército de Lula continue. Esse  grupo de militantes poderá representar o futuro  político do Brasil, não apenas em uma  leitura social democrática, mas em uma  aliança aberta, com enfoque nos novos rumos do mundo e  do Brasil .