Para onde vão os dados que você entregar à inteligência artificial?
A inteligência artificial chegou aos escritórios de advocacia, às empresas e às nossas atividades cotidianas. Em poucos segundos, analisa contratos, elabora petições, produz pareceres e organiza informações. Mas existe uma pergunta que poucos fazem: para onde vão os dados que inserimos nessas plataformas?
Quem armazena essas informações? Por quanto tempo? Elas podem ser utilizadas para treinar modelos de inteligência artificial? São compartilhadas com terceiros? Em que país ficam armazenadas?
Essas questões não são apenas tecnológicas. São jurídicas, éticas e envolvem responsabilidades profissionais.
No episódio 33 do Expresso Jurídico, tive a oportunidade de conversar com o Dr. Álvaro Costa Fernandes sobre os desafios da inteligência artificial, a proteção de dados pessoais e os limites éticos de sua utilização.
Alertei especialmente para os riscos enfrentados por advogados, contadores e empresas que inserem informações pessoais, documentos confidenciais e até dados sensíveis de seus clientes em ferramentas gratuitas, sem conhecer suas políticas de tratamento de dados ou as garantias de confidencialidade.
A gratuidade de uma ferramenta não significa ausência de custos. Muitas vezes, o verdadeiro valor está nas informações que entregamos.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige fundamento jurídico adequado, transparência, segurança e responsabilidade no tratamento dessas informações. Dependendo das circunstâncias, o uso indiscriminado dessas ferramentas pode configurar violação à legislação e ao dever de sigilo profissional.
Não se trata de impedir o avanço tecnológico. Ao contrário, sou defensor da inovação e da transformação digital. Mas inovação sem governança, segurança e responsabilidade pode comprometer direitos fundamentais.
A inteligência artificial deve estar a serviço da atividade profissional, e não transformar a confidencialidade dos nossos clientes em moeda de troca.
O futuro da advocacia e das demais profissões não está em rejeitar a inteligência artificial, mas em aprender a utilizá-la com responsabilidade.
Afinal, antes de perguntar o que a inteligência artificial pode fazer com nossos documentos, precisamos perguntar o que ela poderá fazer com nossos dados.
O episódio 33 do Expresso Jurídico está disponível no YouTube e no Spotify.


