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Será somente estrutural?

Luiz Claudio de Almeida 29 de setembro de 2022 3 minutes read
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Até quando perdurará tanta intolerância e preconceito? Até quando pretos e pretas vão sofrer, literalmente, na pele tanta discriminação? Até quando?

Até quando as justificativas passarão por: “Eu, até, tenho amigos negros”, como se uma frase, escandalosamente preconceituosa, resolvesse esse problema arraigado há milênios. Até quando a ‘situação estará preta’ e não de outra cor, até quando ‘denegrirão pessoas’, a ‘lista será negra’, ‘neguinho fez teve tal atitude’ ou a ‘coisa será parda’? Isso porque, me recuso a escrever coisas muito piores que são comuns ao vocabulário de tantos no dia a dia. Até quando?

Até quando o racismo estrutural, em plena segunda década do século XXI se manterá? Quantos Cruz e Souza, Rosa Parks, Malcolm X, Carolina de Jesus, Martin Luther King Jr., Zumbi dos Palmares, Desmond Tutu, José do Patrocínio, Koffi Annan, Nelson  Mandela, Francisco José do Nascimento, Machado de Assis, Laudelina de Campos Melo, Abdias do Nascimento, Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, líderes intelectuais e políticos. Mãe Meninazinha de Oxum, Manuel Congo e Marianna Crioula, e outros, em outra vertente, mais popular. E muitos outros, e tantos mais serão precisos para que essa mentalidade segregacionista, ainda que velada em alguns casos, seja definitivamente extinta? Quantos e quantas?

Até quando caráter será ‘medido’ pela cor da pele, avaliado por etnia? Até quando será necessária uma data para termos ‘consciência’ de que somos todos iguais, absolutamente iguais, independente do tom de nossa tez? Esse racismo estrutural, com origem partir do século XVI no país, dado pelos colonizadores portugueses no procedimento de escravização dos povos africanos, que segundo eles “não tinham alma”, não pode mais perdurar. A Lei não poderá mais ser apenas “para inglês ver”. A Lei tem que ser de fato e de direito para todos como determina o artigo 5° de nossa Constituição. Respeito!

Segundo o livro Escravidão – Vol. 1, de Laurentino Gomes, estima-se que foram trazidos ao Brasil entre cinco e doze milhões de seres humanos escravizados. Esse tráfico frenético realizado no Oceano Atlântico, chegou a mudar os hábitos alimentares dos tubarões, tal o número de pretos que eram jogados ao mar quando adoeciam ou morriam durante a travessia. Quanta dor! Quanta insensatez! Quanto sofrimento!

Hoje vemos iniciativas mais concretas nessa luta antissegregacionista sem fim. Hoje atos irracionais de racismo têm sido denunciados e coibidos. Hoje mulheres e homens pretos, levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima, mas, ainda estamos muito longe do ideal. Muito longe do amor por todos, uníssono, muito longe…

Até quando?

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