Caixinhas

“Tem uma moeda aí, tio?”. É o clamor sofrido das ruas. Vindo de crianças,adultos e adolescentes. Mãos estendidas. Caixinhas de papelão, caixas de sapatos,  e latas de leite compõem o cenário frio, humilhante, melancólico. Vozes trêmulas. Pés descalços. A fome anunciada pelos olhos tristes. É o natal chegando. Significa esperança de ganhar algum trocado para comer. Quem sabe, um natal menos amargo e dolorido. As caixinhas também são vistas em balcões de lojas, padarias, lavanderias, papelarias e bancas de jornais. Embora empregados, ninguém se acanha. O dinheiro é curto. Caixas e latas marcam a linha da fome e da miséria. Chegam juntas. A fome é diária. Não avisa.   Semáforos, estacionamentos,portas de bares,restaurantes e de lanchonetes, fazem das caixinhas e latas o porto da esperança. Sonhando com a caridade de corações bondosos.

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