Exclusivo! Luisa Thiré fala da nova temporada de Valsa n.6 e de novos projetos para esse ano. Confira!

Minha convidada dessa semana estreou em 1987, na novela da Rede Globo, “Direito de Amar”. Ela  é filha do saudoso Cecil Thiré, irmã dos atores Miguel Thiré, Carlos Thiré e João Thiré, mãe do ator Vitor Thiré e da atriz e diretora Juliana Thiré,  e neta da saudosa estrela  Tônia Carrero. Só essa descrição já mostra que talento e profissionalismo estão no DNA.

A atriz Luisa Thiré  tem no  vasto currículo, inúmeras e importantes peças de teatro, novelas e programas de TV.
No Teatro, são mais de 50 espetáculos (MACBETH, MEDIDA POR MEDIDA, NAVALHA NA CARNE, A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER, VALSA N°6, A AURORA DA MINHA VIDA, A FARSA…entre tantos outros.), Luísa já recebeu diversos prêmios, incluindo o prêmio Aplauso Brasil de Teatro e e o Internacional Prêmio Copacabana.
Em nossa entrevista, ela fala da  nova temporada de Valsa n. 6,  no Rio, agora no Teatro do Centro Cultural da Justiça Federal  e dos planos para 2025, como um novo espetáculo que estreia em junho no Rio.
JP – Olá Luisa! Você está reestreando Valsa n. 6, de Nelson Rodrigues. O que você destaca nessa sua montagem?

Não considero uma reestreia e sim uma nova temporada carioca. A estreia foi no ano de 2012, e eu nunca parei de fazer.  Faço  Valsa N°6 há 13 anos. Nós já fizemos em várias cidades do Brasil, como também fora. A última vez foi em Lisboa, Portugal. Também esteve em Madrid, e Cabo Verde. É uma peça bastante viajada.  2012 foi o ano do centenário de Nelson Rodrigues. Eu estava procurando um monólogo para fazer. Então foi perfeito. Assim como foi perfeito maravilhoso o encontro entre todos os artistas que compõem a ficha técnica do espetáculo: cenógrafo – Sérgio Marimba; figurinista- Teca Fichinski  (que ganhou todos os prêmios de melhor figurino do ano ); trilha sonora de Tomás Gonzaga; Iluminação de Luiz Paulo Neném;  direção de Claudio Torres Gonzaga. melhor. A  Teca sonhou com um vestido de doze metros me amarrando no palco do Teatro Municipal. Eu disse – “o Municipal vou ficar lhe devendo”.
Mas esse tecido gigante, um vestido longo, de doze metros, me amarra ao espaço cênico até hoje. A partir desse vestido, eu faço os personagens, os lugares.
É uma montagem muito elogiada pela crítica especializada e muito aplaudida por todos que assistem.

JP – No texto a questão da memória perpassa todo o texto. Qual é a reflexão que você extrai do texto num país que preserva tal mau a sua memória como o nosso?

A memoria é fundamental, essencial para que sigamos em frente, para aquilo que visamos construir. Nós somos aquilo que nós construímos até aqui, né?!
Em Nelson Rodrigues, é bastante comum esse elemento da memória. Nessa peça, a ação se dá entre o golpe brutal assassino e o momento em que ela morre. São aqueles últimos segundos, sabe ? A personagem repassa toda sua vida, em minutos.  Nelson faz com que ela reviva todos os personagens: a mãe, o pai, o médico, todos os personagens importantes da história dela, e todos os fatos que se misturam.

E a quantidade de meninas adolescentes que vemos sendo assassinadas por homens tarados é brutal.  É absurdo! É inominável! Abominável!!
Claro, que Nelson Rodrigues consegue ser poético até para contar uma história como essa. Mas trata- se de uma tragédia!

JP – Nelson Rodrigues é um autor polémico. O que mais lhe agrada nos seus textos?

O que mais me agrada em Nelson é o olhar dele sobre a realidade. Sobre nossa sociedade.
Nenhum ser humano é uma coisa só. Nenhum de nós,  ne ? E também, as relações dos personagens que ele cria. Ele vai muito fundo nas críticas que  faz.
É muito impressionante como ele retrata a nossa sociedade.

JP – Qual é a lição que os textos de Nelson nos dá?

Eu considero que os textos do Nelson não nos dá lição nenhuma, não…Eles deixam mais dúvidas, mais perguntas, mais questionamentos. E isso é incrível. Ele coloca luz e mais pontos de interrogação sobre o comportamento humano.

JP – Você considera os textos do referido autor com considerações válidas para o mundo de hoje? São atuais?

Eu considero os textos de Nelson Rodrigues muito atuais sim. As questões que ele aborda estão todas presentes no nosso mundo. São inerentes ao ser humano. Por isso é atemporal.
Machismo, traição, ciúme, pecado, culpa. Tá tudo aí.. A peça que eu estou encenando é sobre uma menina que foi assassinada aos quinze anos. É só ler o jornal e outros meios de comunicação para saber quantas mulheres são mortas diariamente !

JP – Como você reflete sobre a questão da escalação de atores cada vez mais jovens e pouco experientes nas produções da televisão brasileira em detrimento de artistas mais velhos mas com mais experiencia?

Eu considero o etarismo uma coisa bem séria, destrutiva, é uma pena, é uma dó, uma absurdo gigante que aconteça dessa forma. Temos milhares de atores e atrizes mais velhos e maduros sem espaço, na televisão principalmente. Essa é uma luta diária minha, nossa, dos artistas, dos agentes, empresários. E eu considero que esse afastamento do público da televisão, das novelas, é reflexo dessas questões. Gosta de assistir seus grandes atores e ídolos!

JP – Quanto aos ditos influencers, você considera pertinente a contratação dos mesmos nos lugares dos atores profissionais?

Considero que há espaço para todos!

JP – Quais são os seus projetos para 2025?

Essa nova temporada carioca de VALSA Nº 6, no Teatro do Centro Cultural da Justiça Federal  e estou ensaiando um novo espetáculo – A Baleia,  com José de Abreu, para estrear em junho, também aqui no Rio.

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