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Entrevista exclusiva com a designer de objetos-arte Brenda Aguillar

Chico Vartulli 4 de dezembro de 2025 5 minutes read
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Essa semana apresento um bate-papo exclusivo e muito agradável com Brenda Aguillar,  designer de objetos-arte upcycling.

JP – Olá Brenda! Como surgiu o Studio Noir et Doré?

A Noir nasceu da parceria e sinergia criativas entre mim e minha prima, Daniela Aguilar, artista visual, na construção da minha casa nas Montanhas Capixabas, batizada pela minha filha de Casa Caqui (@casa_caqui), que se tornou um experimento criativo do Studio.

A Ddani tem um histórico de 33 anos trabalhando com criação de esculturas, artwear e objetos-arte a partir de materiais pós-consumo, um processo que hoje conhecemos como upcycling.

Eu, apaixonada pela estética retrô, sempre amei garimpar objetos antigos nos lugares onde morei e também nas minhas viagens, valorizando as histórias e as memórias afetivas.

Juntas, observamos que o nosso caminho para construir e decorar uma casa passava pelo trajeto do garimpo (em ferros-velhos ou em antiquários) e da transformação que um olhar atento é capaz de enxergar. A fase de “comprar luminárias”, por exemplo, significava ir ao ferro-velho garimpar estruturas, buscar inspirações, e criar lustres únicos com a união de peças garimpadas em antiquários.

JP – Quais são os princípios que regem o Studio?

A Noir et Doré é uma marca que tem como princípios o slow design e o upcycling, que são movimentos que abraçam o equilíbrio das imperfeições e por isso validam as infinitas possibilidades.

Do upcycling surge a sustentabilidade sensível, em prestígio ao reuso e à ressignificação, como um gesto de amor e respeito ao nosso planeta.

Do slow design, a heritage cultural, em homenagem aos ciclos da vida, à potência do tempo, suas marcas e suas razões.

JP – Como se dá o processo de criação no Studio?

Para o desenvolvimento dos objetos, utilizamos peças de garimpos em ferros-velhos, madeiras de demolição, antiquários, memórias de família e outros elementos que carregam histórias e trazem emoções.Costumamos dizer que nossos objetos tem “vontade própria” e vejo isso acontecendo em muitos outros processos criativos também. Como em muitas outras áreas da minha vida, acho que a vontade de controlar esvazia a ação em si. Na criação, o controle esvazia a criatividade. É preciso viver intensamente, estar conectada com o sentir, com a intuição, com as belezas do planeta e abrir a mente e o coração para a vida.

Nessa vibração, percebo que o criar flui e, no fluxo, surge o garimpo certo, a ideia, o desenho e também e as soluções técnicas que cada objeto precisa para nascer.

Algumas vezes, o processo criativo de um novo objeto surge de um dia de visita ao ferro-velho, outras vem de um sonho meu ou da Ddani, mas, como eu disse, estarmos conectadas e com presença facilita o processo de dar vida a uma criação.

JP – Como vocês definem o conceito de sustentabilidade sensível?

Esse é um dos nossos propósitos e surge do desejo de ativar a consciência das pessoas para o reuso, para a ressignificação e para o consumo consciente, como um gesto de amor e respeito com o nosso amado planeta.

Ampliar o olhar para ir além do que a maioria das pessoas vê em descartes ou em materiais pós consumo, enxergando suas infinitas possibilidades de transformação.

JP – O que é o design afetivo?

E ter o afeto como linguagem em nossos objetos-arte.

O design afetivo surge quando nos abrimos a conexões com os rastros de memórias que habitam em cada material encontrado.

Ao incorporar uma criação Noir et Doré ao ambiente, uma relação se estabelece. O objeto passa a fazer parte da sua história, assim como você se inscreve na trajetória dele.

O design afetivo transforma objetos-arte em presenças. É estar presente no coração.

JP – Todo objeto tem uma história? Justifique.

Com toda certeza! Temos a memória como matéria-prima e como essência criativa.

Os objetos-arte que criamos trazem linhas e camadas de tempo – passado, presente e futuro – que se entrelaçam e se conectam.

Nosso processo reconhece e acolhe o tempo, suas marcas e suas razões, como elemento criativo e também como um aliado.

JP – Quais são os principais clientes do Studio?

Colecionadores de objetos-arte, de peças de design autoral e de obras de arte. Pessoas que se identificam com objetos que contam histórias e acreditam que o verdadeiro luxo vive aí!

JP – Quais são os seus planos futuros?

Nosso sonho é trabalhar com projetos corporativos para hotéis e pousadas no mundo afora!

Criar e ressignificar a partir de garimpos – feitos localmente ou levados daqui do Brasil para o exterior – e imprimir a beleza e a inteligência criativa tipicamente brasileiras aos achados.

Criar objetos-arte com singularidade e propósito, que levem alegria e presença às pessoas: luminárias, bandejas, carrinhos de bar, balanços e espelhos e seguir com a missão de ativar a consciência das pessoas para que ampliem o olhar quanto ao potencial de transformação de tudo que já existe no nosso planeta, reduzindo a extração e o impacto ambiental.

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Chico Vartulli

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