
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo de cinema – Colunista convidado.
O noticiário recente reacendeu um velho debate no mercado financeiro brasileiro: Até onde vai a responsabilidade das plataformas de distribuição, quando os produtos de maior risco são oferecidos como se fossem conservadores?
A ação que questiona a omissão de riscos em CDBs emitidos pelo Banco Master traz à tona uma discussão que o mercado internacional enfrentou
de forma dura — e pedagógica — após grandes escândalos.
Quando trabalhei em uma grande instituição financeira americana, nos Estados Unidos, era comum a pressão de clientes para acessar produtos “exclusivos”, aqueles que pareciam imunes a crises, ciclos econômicos ou volatilidade.
Entre eles, os famosos fundos de Bernie Madoff.
Os retornos eram regulares, quase matemáticos. Cerca de um por cento ao mês, faça sol ou faça chuva.
Um verdadeiro relógio suíço em forma de investimento.
A instituição em que eu atuava tentou, diversas vezes, compreender
como aqueles fundos performavam com tamanha estabilidade.
Solicitou informações, modelos, estratégias, riscos.
A resposta do compliance era sempre a mesma: Não há transparência suficiente, não está aprovado na plataforma.
Alguns clientes, inconformados, encerraram suas contas e buscaram casas que distribuíam os cobiçados fundos.
Nós, consultores, ficávamos frustrados.
Parecia que estávamos “perdendo negócios”.
Anos depois, veio o colapso.
Um dos maiores esquemas de pirâmide da história moderna.
Perdas estimadas em cerca de US$ 65 bilhões.
Instituições, fundações, famílias inteiras devastadas.
Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Mas o dano ao sistema de confiança foi irreversível.
Confesso: Tive sorte.
Na verdade, tive algo melhor que sorte — tive o conservadorismo institucional de uma casa. mais preocupada com a preservação de capital. do que com ganhos de curto prazo.
É impossível ler hoje as discussões sobre CDBs, plataformas digitais
e conflitos entre marketing e suitability
sem lembrar desse episódio.
No Brasil, vivemos um mercado altamente bancarizado, com investidores ainda pouco educados financeiramente. e extremamente sensíveis à promessa de rentabilidade acima da média.
Quando produtos complexos ou concentrados em um único emissor
são apresentados como “alternativas seguras”, o risco não está apenas no ativo, mas na narrativa que o acompanha.
Grandes plataformas — sejam elas bancos tradicionais, digitais ou corretoras —carregam uma responsabilidade que vai além da legalidade estrita: A responsabilidade fiduciária.
A história mostra que fraudes raramente se apresentam como fraudes.
Elas chegam bem vestidas, bem embaladas. e, quase sempre, com números sedutores.
O mercado muda, os produtos mudam, os nomes mudam.
Mas a lição permanece.
Quando o compliance é tratado como obstáculo e não como proteção,
o desfecho costuma ser conhecido.
E, como o leitor já deve ter percebido, no mercado financeiro,
a história insiste em se repetir.
A ação que questiona a omissão de riscos em CDBs emitidos pelo Banco Master traz à tona uma discussão que o mercado internacional enfrentou
de forma dura — e pedagógica — após grandes escândalos.
Quando trabalhei em uma grande instituição financeira americana, nos Estados Unidos, era comum a pressão de clientes para acessar produtos “exclusivos”, aqueles que pareciam imunes a crises, ciclos econômicos ou volatilidade.
Entre eles, os famosos fundos de Bernie Madoff.
Os retornos eram regulares, quase matemáticos. Cerca de um por cento ao mês, faça sol ou faça chuva.
Um verdadeiro relógio suíço em forma de investimento.
A instituição em que eu atuava tentou, diversas vezes, compreender
como aqueles fundos performavam com tamanha estabilidade.
Solicitou informações, modelos, estratégias, riscos.
A resposta do compliance era sempre a mesma: Não há transparência suficiente, não está aprovado na plataforma.
Alguns clientes, inconformados, encerraram suas contas e buscaram casas que distribuíam os cobiçados fundos.
Nós, consultores, ficávamos frustrados.
Parecia que estávamos “perdendo negócios”.
Anos depois, veio o colapso.
Um dos maiores esquemas de pirâmide da história moderna.
Perdas estimadas em cerca de US$ 65 bilhões.
Instituições, fundações, famílias inteiras devastadas.
Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Mas o dano ao sistema de confiança foi irreversível.
Confesso: Tive sorte.
Na verdade, tive algo melhor que sorte — tive o conservadorismo institucional de uma casa. mais preocupada com a preservação de capital. do que com ganhos de curto prazo.
É impossível ler hoje as discussões sobre CDBs, plataformas digitais
e conflitos entre marketing e suitability
sem lembrar desse episódio.
No Brasil, vivemos um mercado altamente bancarizado, com investidores ainda pouco educados financeiramente. e extremamente sensíveis à promessa de rentabilidade acima da média.
Quando produtos complexos ou concentrados em um único emissor
são apresentados como “alternativas seguras”, o risco não está apenas no ativo, mas na narrativa que o acompanha.
Grandes plataformas — sejam elas bancos tradicionais, digitais ou corretoras —carregam uma responsabilidade que vai além da legalidade estrita: A responsabilidade fiduciária.
A história mostra que fraudes raramente se apresentam como fraudes.
Elas chegam bem vestidas, bem embaladas. e, quase sempre, com números sedutores.
O mercado muda, os produtos mudam, os nomes mudam.
Mas a lição permanece.
Quando o compliance é tratado como obstáculo e não como proteção,
o desfecho costuma ser conhecido.
E, como o leitor já deve ter percebido, no mercado financeiro,
a história insiste em se repetir.





