
A estreia de “Haddad e Borghi: Cantam o Teatro, Livres em Cena”, nesta quinta-feira (8 de janeiro), no Sesc Copacabana, foi marcada por forte impacto artístico, político e simbólico. Logo no início da apresentação, antes mesmo de a trajetória de Renato Borghi e Amir Haddad começar a ser narrada, o espetáculo se abre com um movimento circense – criado especialmente para a arena do SESC – no qual surge o grito “Sem Anistia”, incorporado à linguagem cênica da obra.
O momento evocou simbolicamente os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de manifestantes bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília — o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal — em protesto contra o resultado das eleições presidenciais e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, deixando marcas profundas na memória da democracia brasileira.
Idealizado e dirigido por Eduardo Barata, com dramaturgia assinada ao lado de Elaine Moreira, o espetáculo reúne dois mestres do teatro brasileiro, fundadores do Teatro Oficina, e constrói, a partir de suas memórias e reflexões, um panorama das últimas sete décadas do teatro brasileiro. Em cena, além de Haddad e Borghi, estão os atores Débora Duboc, Duda Barata, Élcio Nogueira Seixas e Máximo Cutrim, acompanhados por um coro de dez artistas e cinco artistas circenses.
A encenação é atravessada por música ao vivo, sob direção musical do Trio Júlio, que também atua em cena, dialogando com referências da Rádio Nacional e do cancioneiro brasileiro, ampliando o caráter histórico e afetivo da montagem.
Ao final da apresentação de estreia, Eduardo Barata voltou ao palco para lembrar o caráter simbólico do dia 8 de janeiro, ressaltando a importância da memória democrática e da resistência cultural, além de enaltecer os 80 anos do Sesc, celebrados em 2026. O diretor se emocionou ao homenagear os 70 anos de carreira de Renato Borghi e Amir Haddad.
Ovacionados pelo público, os dois artistas, também emocionados, afirmaram que não saberiam exercer outro ofício que não o teatro, arte à qual dedicam suas vidas há sete décadas.












