
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo de cinema – Colunista convidado.
O centro do conflito que envolve a Venezuela não é ideológico nem humanitário.
É petróleo. As maiores reservas comprovadas do planeta são o verdadeiro eixo de poder dessa crise — e é exatamente por isso que a atuação dos Estados Unidos assume contornos de grave imprudência estratégica.
Não se trata apenas de sanções econômicas.
Não se trata apenas de sanções econômicas.
Houve intervenção militar.
Bloqueios navais no Caribe, operações encobertas, apoio direto e indireto a ações armadas, pressão militar contínua e demonstrações explícitas de força configuram um cenário de guerra não declarada.
A mensagem é cristalina: O controle do petróleo venezuelano será imposto, se necessário, pela força.
O petróleo venezuelano nunca foi apenas uma commodity.
O petróleo venezuelano nunca foi apenas uma commodity.
Ele sustenta o arranjo do petrodólar, pilar da hegemonia monetária americana.
Controlar a energia significa controlar a moeda, os fluxos financeiros e o equilíbrio do poder global.
Ao combinar coerção financeira com intimidação militar, Washington abandona a diplomacia e normaliza o uso do dólar como arma. Não é negociação, é imposição.
Ao combinar coerção financeira com intimidação militar, Washington abandona a diplomacia e normaliza o uso do dólar como arma. Não é negociação, é imposição.
E imposição, corrói a confiança.
O problema é que esse jogo não termina em Caracas.
China e Rússia já compreenderam que o petróleo fora do dólar não é provocação, é estratégia. A resposta americana, longe de conter esse movimento, o acelera.
O problema é que esse jogo não termina em Caracas.
China e Rússia já compreenderam que o petróleo fora do dólar não é provocação, é estratégia. A resposta americana, longe de conter esse movimento, o acelera.
O dólar torna-se instrumento de guerra, o petróleo, em linha de frente e a ordem monetária começa a se fragmentar.
Nesse contexto, ganha relevância a oposição crescente dos Estados Unidos ao avanço do BRICS.
Nesse contexto, ganha relevância a oposição crescente dos Estados Unidos ao avanço do BRICS.
A tentativa do bloco de criar mecanismos próprios de financiamento, comércio e até uma moeda de referência alternativa ao dólar passou a ser tratada por Washington como ameaça direta à sua supremacia econômica.
A reação é previsível. Desestimular, dividir e enfraquecer o bloco antes que ele amadureça.
A reação é previsível. Desestimular, dividir e enfraquecer o bloco antes que ele amadureça.
O cerco à Venezuela, detentora de enormes reservas energéticas e com potencial, fornecedora estratégica ao Sul Global, encaixa-se nessa lógica. Não se trata apenas de isolar um país, mas de enviar um aviso aos que cogitam aderir a uma arquitetura financeira fora da órbita americana.
Ao atacar simultaneamente o petróleo, a moeda e os arranjos multilaterais emergentes, os Estados Unidos adotam uma postura defensiva disfarçada de força.
Ao atacar simultaneamente o petróleo, a moeda e os arranjos multilaterais emergentes, os Estados Unidos adotam uma postura defensiva disfarçada de força.
O paradoxo é evidente. Quanto mais tentam conter a multipolaridade, mais contribuem para acelerá-la.
É nesse ponto que o reflexo chega ao Brasil.
Como produtor relevante de petróleo e economia sensível a choques externos, o Brasil poderá sentir os efeitos dessa instabilidade, na pressão cambial, inflação importada e na volatilidade nos preços de energia. Esses impactos não pedem autorização política — chegam pela bomba de combustível e pela conta de luz.
Em 2026, isso poderá ter consequência eleitoral. O eleitor não vota em geopolítica, mas pune quem não consegue proteger seu poder de compra. Política externa, quando mal calculada, vira custo doméstico.
Persistir na militarização do petróleo e na politização do dólar é brincar com a estrutura que sustenta o próprio sistema global. Impérios raramente caem por fraqueza — caem por excesso de força. Quando a moeda vira arma, o barril vira alvo e o mundo se reorganiza, os mercados reagem, os países se protegem e os eleitores cobram. O resto é retórica.
É nesse ponto que o reflexo chega ao Brasil.
Como produtor relevante de petróleo e economia sensível a choques externos, o Brasil poderá sentir os efeitos dessa instabilidade, na pressão cambial, inflação importada e na volatilidade nos preços de energia. Esses impactos não pedem autorização política — chegam pela bomba de combustível e pela conta de luz.
Em 2026, isso poderá ter consequência eleitoral. O eleitor não vota em geopolítica, mas pune quem não consegue proteger seu poder de compra. Política externa, quando mal calculada, vira custo doméstico.
Persistir na militarização do petróleo e na politização do dólar é brincar com a estrutura que sustenta o próprio sistema global. Impérios raramente caem por fraqueza — caem por excesso de força. Quando a moeda vira arma, o barril vira alvo e o mundo se reorganiza, os mercados reagem, os países se protegem e os eleitores cobram. O resto é retórica.




