
O conceito de skin fasting — reduzir ou até suspender temporariamente o uso de cosméticos — voltou a ganhar força no TikTok e aparece entre as tendências de skincare que devem seguir relevantes em 2026. A prática, porém, exige cuidado, especialmente durante o Verão.
Especialistas destacam que a ideia de “dar um descanso à pele” não é nova, mas ganhou interpretações extremas nas redes sociais. Em um país de clima tropical como o Brasil, suspender cuidados essenciais pode comprometer a barreira cutânea, aumentar a sensibilidade e favorecer manchas e inflamações.
O principal erro é confundir excesso de produtos com abandono total da rotina. Limpeza adequada, hidratação e fotoproteção continuam sendo indispensáveis, principalmente no calor.
A orientação é adaptar o conceito à realidade individual: reduzir etapas desnecessárias, evitar sobreposição de ativos e manter o básico bem feito, sempre com orientação profissional.
A dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ) fala sobre o assunto.
JP – O que realmente significa skin fasting do ponto de vista dermatológico?
Do ponto de vista dermatológico, o skin fasting não significa abandonar completamente os cuidados com a pele, mas sim reduzir excessos. A proposta original é simplificar a rotina para evitar sobrecarga de ativos, irritação e sensibilização da pele. Nas redes sociais, porém, o conceito ganhou interpretações extremas, como suspender totalmente o uso de cosméticos, o que não é recomendado, especialmente em países de clima tropical. A pele precisa de cuidados básicos contínuos para manter sua função de barreira e proteção.
JP – Em quais casos reduzir produtos pode ser benéfico para a pele?
Reduzir produtos pode ser benéfico quando a pele apresenta sinais de sensibilização, como ardor, vermelhidão, descamação ou aumento da acne inflamatória. Isso costuma acontecer quando há uso excessivo ou sobreposição inadequada de ativos, como ácidos, retinoides e esfoliantes. Nesses casos, uma rotina mais enxuta ajuda a pele a se reorganizar, recuperar a barreira cutânea e reduzir processos inflamatórios. A simplificação deve ser estratégica, mantendo apenas o essencial e, idealmente, com orientação dermatológica.
JP – Quais cuidados nunca devem ser suspensos no Verão?
No Verão, três etapas nunca devem ser suspensas: limpeza adequada, hidratação e fotoproteção. A limpeza remove suor, oleosidade e poluentes; a hidratação mantém a integridade da barreira cutânea, mesmo em peles oleosas; e o uso diário de filtro solar é indispensável para prevenir manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele. Suspender esses cuidados, especialmente em períodos de maior exposição solar, pode causar danos cumulativos à pele.
JP – Como adaptar tendências do TikTok à rotina da pele brasileira?
Sou completamente contra seguir qualquer tendência sem antes consultar um Dermatologista. Tendências das redes sociais precisam ser adaptadas ao tipo de pele, à genética, ao histórico de alergias e até à realidade climática do local, especialmente quando há muita exposição solar. Só um Dermatologista tem capacitação para ajustar tudo isso de forma segura.
Por isso, seguir modas sem avaliação adequada é uma das principais causas de complicações como acne inflamatória, alergias e piora geral da qualidade da pele.





