
Na véspera do Carnaval fui conversar com uma das maiores personalidade do mundo do samba: Pinah Ayoub. A história da empresária e sambista se mistura com os grandes acontecimentos do universo das escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 1978 a ‘cinderela negra’ encantou, com seu samba, o então Príncipe Charles, hoje Rei Charles III. Hoje basta tocar o antológico samba “Pinah, ê ê ê, Pinah, a Cinderela Negra que ao príncipe encantou”, cantado por Neguinho da Beija-Flor, que tronou-se o hino que embalou a escola nilopolitana no seu campeonato de 1983 para a baluarte Pinah se emocionar. Com quase 50 anos de dedicação à escola, Maria da Penha Ferreira Ayoub se destacou pela ginga, cabeça raspada e sorriso. Hoje, atua na diretoria, mantendo um legado de respeito ao pavilhão.
JP – Olá Pinah! Você é uma personalidade e empresária do carnaval. Como você concilia essas duas faces da sua trajetória de vida?
É bastante corrido conciliar a vida artística e a vida empresarial. A vida empresarial ocupa outros momentos em relação à vida no carnaval. Quando chega o momento do carnaval, o foco é total nisso. Nos momentos de empresária, também estou focada.
JP – Como se deu a sua inserção no mundo do samba?
O meu primeiro contato com o samba foi pela moda. Logo em seguida, os famosos concursos de fantasia da época. Depois, fui convidada à desfilar. Na verdade, eu comecei como modelo.
JP – Quando você começou a desfilar como destaque? Quem lhe convidou?
Comecei no ano de 74, oficialmente como destaque na Salgueiro. Mas, antes, já desfilava em alas na Escola Encima da Hora. De 76 em diante, Beija Flor de Nilópolis. Onde sigo até hoje.
JP – Quando ocorreu o contato e a inserção no GRES Beija-Flor de Nilópolis?
Através do Joãozinho Trinta. Já trabalhávamos juntos na Salgueiro.
JP – Qual foi a importância para a personalidade Pinah do fato de ter dançado com o príncipe Charles em 1978?
Esse fato foi um marco do século 20. Impulsionou a internacionalização do carnaval brasileiro e sedimentou a minha carreira.
JP – A Beija-Flor tinha um notável time de destaques. Você poderia comentar sobre aquela selecionável equipe?
Eram pessoas maravilhosas e muito unidas.
JP – Seu último desfile como destaque ocorreu no ano de 1989 no antológico Ratos e Urubus. Qual é o balanço que você faz da sua trajetória como destaque?
O desfile da Beija Flor de 1989, foi e é um acontecimento estudado e lembrado até os dias de hoje. Seu impacto artístico e histórico é uma fonte de informação preciosa criada pelo gênio e mestre Joãozinho Trinta. Ter esse momento como último desfile como destaque é uma honra.
JP – A seguir, você se tornou uma mulher empreendedora. Como surgiu o Palácio das Plumas?
O Palácio das Plumas foi fundado pelo meu marido, Elias. Há 45 anos atrás. Nós formamos uma equipe de trabalho conjunto. Hoje, minha filha, Claudia Ayoub, está à frente dos negócios.
JP – Como se caracteriza a Pinah empreendedora?
Forte, consistente e constante.
JP – O carnaval é uma manifestação cultural. E como toda prática da cultura vai se transformando, modificando. Como você observa os desfiles das escolas de samba hoje e aqueles que você participava nas décadas de setenta e oitenta?
Como dito na pergunta, toda prática cultural se transforma e modifica. Aliás, a transformação é uma “lei”. O carnaval não poderia ser diferente. A cultura se relaciona com a realidade da vida como ela se apresenta, como ela se apresentou e como ela poderá se apresentar. Em todas as suas formas e cores.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Agradeço ao Anísio Abrahão David, pelo acolhimento de hoje e sempre. Agradeço ao Almir Reis pela parceria e carinho. Enfim, agradeço à toda comunidade nilopolitana e seguimentos da escola. Pelo respeito e amor nesses 50 anos de Beija Flor.





