
Estreou A Cuca no Teatro Futuros – Arte e Tecnologia.
A criação da Cuca, dramaturgia, direção e performance são de Renato Rocha.
O público que vai assistir o espetáculo acreditando que vai visualizar uma Cuca, conhecida no
imaginário popular, sobretudo pelo programa infantil do Sitio do Pica Pau Amarelo, como uma figura
má, uma feiticeira, uma bruxa que vive mexendo o seu caldeirão para realizar crueldades e feitiços,
se engana.
O texto de Renato Rocha parte de um questionamento, uma pergunta da filha do autor sobre a
continuidade da vida no planeta Terra. Para responder, ele recupera a figura da Cuca, e incorpora a
personagem, transformando-a num Visage, entidade invocada em rituais de transmissão de saber e
memorias em diferentes culturas indígenas. A Cuca de Renato representa a figura feminina da
floresta, o lado materno. Representa também a ancestralidade, os saberes nativos passados de
geração a geração. Ela também é arte, carnaval. E também é a memória, o presente, o passado e o
futuro, a pluralidade e a diversidade. Portanto, a Cuca que Renato nos apresenta é aquela que
convoca, e que nos leva a realizar uma reflexão sobre o mundo em que vivemos, e aquele que
deixaremos para as gerações que ainda estão por vir.
Renato Rocha realiza uma performance multimidia de qualidade e merecedora de elogios. Ele
interpreta com qualidade, e emociona. Ela domina o texto, passando com uma linguagem de
tranquila compreensão e acessível. As suas falas ocorrem ao vivo, e por meio de gravações.
Também se utiliza de expressões faciais, gestuais, e movimentos corporais. Sua atuação é
complementada por projeções em tela e vídeos. Ele domina o palco, se movimentando
intensamente e preenchendo todos os espaços. Estabelece uma boa comunicação com o público.
Portanto, uma performance deferida e merecedora de aplausos.
A direção é do próprio Renato Rocha, que focou no texto, e se deu liberdade total para realizar a
sua performance.
O figurino é criativo, original, de bom gosto, e carnavalizado. Num primeiro momento, ele aparece
com uma pele trajando uma roupa nos tons verde e rosa, remetendo aos carnavais da Mangueira,
que carrega as cores do lugar onde Renato cresceu, o Maracanã, e sua avó morava perto da
Mangueira, remetendo aos seus antepassados. Num segundo momento, troca novamente de pele
como um réptil, trajando uma toda em vermelho, a cor do amor de pai para filha, mas também do
sangue, da encruzilhada, de Exu, da escuta e do movimento.
A cenografia é mínima, constituída por um telão ao fundo onde sâo projetadas diversas imagens e
vídeos.
A Iluminação criada por Paulo Denizot apresenta um bonito desenho de luz, e contribui para realçar
a interpretação do ator de seu personagem. Ademais, a luz cria e marca o ritmo e o dinamismo do
espetáculo. Ela varia de acordo com o contexto das cenas, complementando as falas do ator. Além
da luz, há também efeitos como fumaça.
A trilha sonora de Renato Rocha, a partir de músicas de Daniel Castanheira e Felipe Habibi, aponta
para a variedades de ritmos e canções, do techno à batucada, tornando o espetáculo agradável
musicalmente.
Texto, atuação, direção, figurino, cenografia, iluminação e trilha sonora formam um conjunto
equilibrado e coerente, que garantem a qualidade do espetáculo.
Ótima produção cênica!






