
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de Cinema Colunista convidado.
A orientação das autoridades chinesas para que bancos reduzam a exposição a títulos do tesouro americano não é apenas um movimento técnico de gestão de risco. É um sinal.
Não se trata de uma venda abrupta ou de um gesto político explícito. É algo mais sutil — e talvez mais relevante. Uma indicação de que a maior economia emergente do planeta deseja diminuir gradualmente sua dependência do principal ativo financeiro do sistema internacional.
Os treasuries sempre foram o alicerce do dólar como moeda de reserva global.
Liquidez profunda, segurança jurídica e previsibilidade institucional tornaram esses títulos o porto seguro do mundo.
Mas o mundo mudou. A dívida pública americana cresce em ritmo acelerado.
Os déficits fiscais se tornaram estruturais.
Os juros permanecem elevados por mais tempo.
E a geopolítica adicionou uma nova variável ao cálculo de risco.
Para a China, manter volumes excessivos de dívida americana significa concentração.
Significa vulnerabilidade a sanções e, também, exposição cambial relevante.
A resposta não foi dramática. Foi estratégica.
Reduzir compras. Diversificar reservas. Ajustar gradualmente a alocação.
Esse movimento se insere em um contexto mais amplo de busca por alternativas ao dólar, seja via ouro, acordos bilaterais em moedas locais ou fortalecimento do yuan em transações internacionais.
Não é o fim do dólar.
Mas é a erosão lenta de sua exclusividade. E o que isso significa para o Brasil?
Primeiro, juros globais podem permanecer pressionados se a demanda estrutural por treasuries diminuir.
Isso encarece o custo de capital no mundo inteiro.
Segundo, o dólar pode sofrer períodos de volatilidade, abrindo espaço para valorização tática de moedas emergentes — inclusive o real — mas com risco de movimentos abruptos.
Terceiro, países como o Brasil podem intensificar a diversificação de reservas, acompanhando a tendência de menor concentração em ativos americanos.
Quarto, em um ambiente de rearranjo monetário, commodities — área em que o Brasil é protagonista — ganham relevância estratégica.
Há também uma dimensão política.
Brasil e China ampliaram relações comerciais e discutem liquidação de operações em moedas locais.
Um sistema menos centrado no dólar fortalece essa agenda.
Mas há riscos.
Se a redução chinesa gerar instabilidade no mercado de renda fixa americano, investidores globais podem buscar proteção, penalizando ativos de risco.
Para o Brasil, que já convive com dívida elevada e dependência de capital externo, qualquer aperto financeiro global exige cautela.
O episódio não é um terremoto. É uma placa tectônica se movendo.
O sistema financeiro internacional está sendo lentame
Os treasuries sempre foram o alicerce do dólar como moeda de reserva global.
Liquidez profunda, segurança jurídica e previsibilidade institucional tornaram esses títulos o porto seguro do mundo.
Mas o mundo mudou. A dívida pública americana cresce em ritmo acelerado.
Os déficits fiscais se tornaram estruturais.
Os juros permanecem elevados por mais tempo.
E a geopolítica adicionou uma nova variável ao cálculo de risco.
Para a China, manter volumes excessivos de dívida americana significa concentração.
Significa vulnerabilidade a sanções e, também, exposição cambial relevante.
A resposta não foi dramática. Foi estratégica.
Reduzir compras. Diversificar reservas. Ajustar gradualmente a alocação.
Esse movimento se insere em um contexto mais amplo de busca por alternativas ao dólar, seja via ouro, acordos bilaterais em moedas locais ou fortalecimento do yuan em transações internacionais.
Não é o fim do dólar.
Mas é a erosão lenta de sua exclusividade. E o que isso significa para o Brasil?
Primeiro, juros globais podem permanecer pressionados se a demanda estrutural por treasuries diminuir.
Isso encarece o custo de capital no mundo inteiro.
Segundo, o dólar pode sofrer períodos de volatilidade, abrindo espaço para valorização tática de moedas emergentes — inclusive o real — mas com risco de movimentos abruptos.
Terceiro, países como o Brasil podem intensificar a diversificação de reservas, acompanhando a tendência de menor concentração em ativos americanos.
Quarto, em um ambiente de rearranjo monetário, commodities — área em que o Brasil é protagonista — ganham relevância estratégica.
Há também uma dimensão política.
Brasil e China ampliaram relações comerciais e discutem liquidação de operações em moedas locais.
Um sistema menos centrado no dólar fortalece essa agenda.
Mas há riscos.
Se a redução chinesa gerar instabilidade no mercado de renda fixa americano, investidores globais podem buscar proteção, penalizando ativos de risco.
Para o Brasil, que já convive com dívida elevada e dependência de capital externo, qualquer aperto financeiro global exige cautela.
O episódio não é um terremoto. É uma placa tectônica se movendo.
O sistema financeiro internacional está sendo lentame






