
Estreou Job no Teatro Total Energies – Sala Adolpho Bloch.
O texto de Max Wolf Friedlich é um diálogo dramático, tenso, intenso, potente, emocionante, reflexivo, critico, e contemporâneo. Sublinha a importância de se valorizar a saúde mental, e reflete sobre os efeitos nefastos dos conteúdos digitais sobre as mentes dos seres humanos, bem como danifica as relações de trabalho. O Mundo contemporâneo é inseparável dos meios técnico-científicos. A pandemia confirmou o fato. Mas o humano está acima de tudo!
O texto também apresenta uma reflexão sobre questões ética profundas. Qual é o conteúdo digital que deve ser veiculado? Os conteúdos tóxicos e imprudentes atormentam, machucam e torturam as mentes humanas. São divulgados os mais torpes possíveis, como por exemplo a tortura de animais. O texto é extremamente reflexivo para o momento presente em que vivemos, quando se espalhou pelo mundo inteiro a noticia do assassinato de um cão comunitário, de forma cruel, realizado por um grupo de adolescentes numa praia de Santa Catarina. Suspeita-se que os jovens integrariam a plataforma Discord, que veicula possíveis imagens de incentivo à violência de animais, e que o espancamento do cachorro orelha teria sido veiculado ao vivo. A brutalidade virou entretenimento nas tedes digitais. Esse conteúdo agressivo de morte de animais é torturador! Não há saúde mental que aguente!
Bianca Bin faz uma Jane agoniada, agitada, perturbada, insana, agressiva, insistente e imediatista, que quer solucionar o problema instantaneamente, a avaliação favorável psicológica para retornar ao trabalho. Por sua vez, Edson Fieschi faz o terapeuta Loyd, indivíduo frio, racional, seco, calculista, distante, mas que também deixa transparecer tensão. Os dois têm uma atuação comovente e merecedora de elogios. Ele dominam o texto, estabelecendo diálogos densos, intensos, tensos e emocionantes. Eles comovem! Interpretam corretamente, e emocionam. Dominam o palco, ocupando os espaços. Cada um do seu lado. Jane no sofá, e o terapeuta em sua cadeira com a sua prancheta. Em alguns momentos, invadem os espaços alheios, diluindo as fronteiras entre ambos e misturando os papéis. Estabelecem boa comunicação com o público. Portanto, atuação deferida e merecedora de elogios.
A direção de Fernando Philbert focou no texto, e deixou os atores livres para atuarem no palco, estabelecendo diálogos intensos e emocionantes. Philbert valorizou os atores!
Embora Philbert dê liberdade, ele também intervém por meio de sons fortes e lampejos de luzes que irrompem inesperadamente, paralisando os diálogos, e dando um tom mais dramático e emocionante aos mesmos.
Os figurinos criados por Ronald Teixeira são adequados ao espetáculo, roupas do quotidiano, correta combinação de cores, e facilitam o deslocamento dos atores pelo palco.
A cenografia criada por Natália Lana é bem realizada, com os elementos cenográficos distribuídos de forma ordenada pelo palco, e adequada ao espetáculo.
A iluminação criada por Vilmar Olos apresenta um bonito desenho de luz, e contribui para realçar a interpretação do elenco de seus personagens. Ademais, a luz, juntamente com um conjunto de sons que acontecem ao longo do espetáculo, cria e marca o ritmo e o dinamismo do espetáculo. Ela varia de acordo com o contexto das cenas, complementando as falas do elenco.
A trilha sonora de Marcelo Alonso Neves é correto, constituída por sons intensos, deixando transparecer o caráter tenso do espetáculo.
Texto, direção, cenografia, figurinos, iluminação e trilha sonora formam um conjunto harmônico e equilibrado, dando o tom de excelência do espetáculo.
Excelente produção cênica!






