
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de Cinema – Colunista convidado.
A queda do dólar, agora tratada abertamente como algo positivo pelo presidente americano Donald Trump, tem sido comemorada no Brasil como sinal de alívio econômico.
Dólar baixo, bolsa em alta e inflação contida criam a narrativa confortável de que o cenário externo está ajudando o país.
Essa leitura é superficial — e perigosa.
Quando o dólar fraco deixa de ser resultado de mercado e passa a ser política oficial dos Estados Unidos, o efeito imediato pode até parecer favorável. O real se valoriza, o capital estrangeiro entra em busca de juros elevados e os ativos financeiros sobem.
Essa leitura é superficial — e perigosa.
Quando o dólar fraco deixa de ser resultado de mercado e passa a ser política oficial dos Estados Unidos, o efeito imediato pode até parecer favorável. O real se valoriza, o capital estrangeiro entra em busca de juros elevados e os ativos financeiros sobem.
Mas isso não é confiança no Brasil. É oportunismo.
Esse dinheiro não vem para investir na economia real. Não financia indústria, não gera produtividade e não cria empregos duradouros.
Esse dinheiro não vem para investir na economia real. Não financia indústria, não gera produtividade e não cria empregos duradouros.
Ele entra rápido para capturar rendimento e sai na mesma velocidade ao menor sinal de mudança no cenário internacional.
Enquanto o mercado financeiro comemora, a economia real paga a conta. O real valorizado reduz a competitividade das exportações, aperta margens e sufoca ainda mais a indústria nacional, já enfraquecida por anos de baixo investimento e desorganização fiscal.
Enquanto o mercado financeiro comemora, a economia real paga a conta. O real valorizado reduz a competitividade das exportações, aperta margens e sufoca ainda mais a indústria nacional, já enfraquecida por anos de baixo investimento e desorganização fiscal.
O dólar artificialmente baixo também cria um efeito colateral conhecido. Governos passam a adiar decisões difíceis.
O ajuste fiscal fica para depois, o gasto público segue crescendo e reformas estruturais perdem urgência.
Os indicadores melhoram no curto prazo, mas a fragilidade aumenta por baixo da superfície.
A história brasileira é clara.
A história brasileira é clara.
Ciclos de dólar baixo sustentados por fluxo externo terminam mal.
Quando o capital vira — e sempre vira — o ajuste vem de uma vez: dólar dispara, inflação retorna e a economia desacelera bruscamente.
Celebrar o dólar fraco como solução é repetir um erro antigo.
Celebrar o dólar fraco como solução é repetir um erro antigo.
Ele beneficia o mercado financeiro no curto prazo, mas enfraquece a base produtiva do país e aumenta a vulnerabilidade externa.
Dólar fraco não é estratégia de desenvolvimento.
É anestesia.
E anestesia não cura — apenas adia a dor.
Dólar fraco não é estratégia de desenvolvimento.
É anestesia.
E anestesia não cura — apenas adia a dor.




