João Hélder como destaque de super luxo na Vila Isabel.
Redes Sociais
Ainda no ritmo de Momo, conversei com João Helder Macedo Monti, renomado cirurgião plástico e um dos destaques de luxo mais tradicionais do Carnaval carioca. Mineiro radicado no Rio, ele acumula décadas de avenida, sendo reconhecido por desfilar no alto de alegorias em grandes agremiações como Acadêmicos do Salgueiro e Paraíso do Tuiuti, criando suas próprias fantasias. Confira!
JP – Como você concilia a sua atuação como médico e destaque do carnaval carioca?
Concilio com certa disciplina e, principalmente, paixão. O meu compromisso e responsabilidade com a medicina é diário; o carnaval é a minha forma de extravasar as tensões , realizar fantasias.
São universos diferentes, mas que se conectam. Ambos lidam diretamente com pessoas e emoções .
JP – Quando despertou o seu interesse pela medicina?
Meu interesse surgiu na adolescência. Com o tempo, esse interesse virou escolha consciente e, depois, vocação.
JP – Como se deu a sua formação como médico e qual é a sua especialização?
Eu fiz faculdade de medicina em Itajubá no Sul de Minas. Em 1987, vim para o Rio de Janeiro para fazer minha especialização em Cirurgia Plástica.
JP – Para ser médico tem que ter vocação?
Sem dúvida. A medicina exiage empatia, responsabilidade e compromisso humano. A vocação é o que sustenta o médico nos momentos difíceis e dá sentido à profissão.
JP – Ao lado da sua carreira como médico, você também tem uma trajetória reconhecida como destaque do carnaval carioca. Quando surgiu o seu interesse em ser destaque?
O interesse pelo carnaval surgiu ainda adolescente quando morava em Pedralva no Sul de Minas. Eu acompanhava o carnaval carioca pela televisão e pelas revistas da época.
Quando vim para o Rio, um amigo me levou para conhecer o barracão da Imperatriz Leopoldinense. Na ocasião fui apresentado a Rosa Magalhães. Conversando com ela, manifestei meu desejo de desfilar em um carro alegórico e que eu mesmo gostaria de fazer minha fantasia. Uma semana depois recebi das mãos de Rosa, o meu primeiro figurino. Isto foi em 1992. De lá para cá não parei mais. Desfilei com a Rosa Magalhães até seu último carnaval na Tuiuti em 2023.
JP – No seu ponto de vista, o que é ser um destaque do carnaval carioca?
Ser destaque é um privilégio para quem saiu do interior de Minas cheio de expectativas. Fazer parte desta festa grandiosa é poder transformar sonhos em realidade.
JP – Qual é o figurino de fantasia que mais lhe agrada?
Gosto muito de fantasias de época; representar personagens históricos. Mas todos os tipos de figurinos sempre foram muito bem vindos. Gosto de desafios.
JP – Quando você desfilou pela primeira vez? Por quais agremiações você desfilou?
Como eu disse anteriormente, meu primeiro desfile foi na Imperatriz Leopoldinense onde desfilei por 17 anos. Posteriormente, acompanhei a carnavalesca Rosa Magalhães em quase todas as escolas em que ela passou e também em outras escolas com outros carnavalescos como Portela, Mangueira, Grande Rio, Vila Isabel, Unidos da Tijuca, Viradouro e Salgueiro.
JP – Como se dá o processo de confecção da roupa?
Eu mesmo gosto de confeccionar as minhas fantasias. É uma terapia para mim. A partir do figurino que eu recebo do carnavalesco, eu faço uma pesquisa sobre o personagem que irei representar. A partir daí as ideias vão surgindo, gosto de criar, utilizar materiais alternativos e diferentes. Sempre respeitando as ideias do carnavalesco.
JP – Tem algum desfile marcante que você gostaria de lembrar? E qual a fantasia que você vestiu?
É muito difícil escolher um desfile marcante; todos foram muito bons.
1999 – Luís XIV – Imperatriz Leopoldinense
2013 – Terra Rachada – Vila Isabel
2018 – Osiris – Salgueiro
2019 – Oduduwa – Salgueiro
2025 – Exu Trunqueiro – Viradouro (desfile das campeãs quando desfilei no chão).
Vale ressaltar a Festa de Encerramento dos Jogos Olímpicos em 2016. Uma das experiências mais emocionantes que vivi.