
A artista visual Patrícia Secco apresenta “Tramas” – uma exposição que promove a conscientização ambiental através da beleza e do fazer manual, democratizando o acesso à arte contemporânea e oferecendo ao público do Centro Cultural Correios RJ um refúgio de paz e inspiração, essencial para a construção de uma nova consciência coletiva.
Com curadoria de Carlos Bertão e design expográfico de Alê Teixeira, a mostra é um percurso onde o Brasil, o mito e o sonho se encontram, que costura telas bordadas, máscaras pintadas com temas genuinamente brasileiros, uma instalação têxtil vibrante e esculturas em cerâmica que brotam de um universo onírico próprio: flores imaginárias brancas inspiradas na lenda de Atlântida.
As telas bordadas funcionam como cartografias sensíveis — linhas que se desdobram em rios, raízes, ventres e caminhos internos. Cada ponto é memória pulsante, gesto que sutura o invisível.
As máscaras, todas pintadas com temas do Brasil, revelam a multiplicidade de um imaginário que atravessa territórios e espiritualidades: fauna e flora tropicais, festas populares, narrativas afro-indígenas, rituais, proteção e encantamento. São rostos que emergem como guardiões simbólicos. A instalação têxtil é um organismo em movimento. Pássaros em tecido flutuam como fragmentos de sonho; peixes circulam entre camadas; e linhas vermelhas costuram o espaço como artérias vivas. O vermelho guia o olhar e simboliza vida, paixão, terra fértil e pulsação — um fio que une céu e mar, voo e profundidade. As cerâmicas brancas, por sua vez, nascem de um sonho profundo da artista: a visão de um fundo do mar indo embora, revelando flores impossíveis, etéreas, que ecoam a mitologia de Atlântida. São flores que não existem na botânica do mundo, mas florescem na memória, na imaginação e na fronteira entre o real e o mítico. Brancas porque carregam o silêncio, a luminosidade e a pureza do que se revela quando tudo submerge como fósseis de um jardim perdido.
No conjunto, “Tramas” celebra o encontro entre matéria e mito, tradição e imaginação, Brasil e Atlântida. Uma travessia sensorial onde cada obra é um fragmento de terra, um gesto de trama e um sopro de sonho.






