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Renato Aragão: Memória da Televisão Brasileira

Alex Varela Gonçalves 4 de março de 2026 4 minutes read
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Estreou Adorável Trapalhão – O Musical no Teatro Sesc Ginástico.

 

O texto de Marília Toledo é musical, biográfico, linear, celebrativo, memória, poético, divertido, emocionante, sensível e lúdico. Narra a trajetória do brasileiro Antônio Renato Aragão, mesclando cenas sobre a sua vida pessoal e aquelas relativas á sua vida pública, como homem da televisão, um comediante, quando emerge o seu personagem Didi Mocó, integrante do grupo Os Trapalhões. O musical explora o lado fraternal do indivíduo, presente em sua preocupação com as crianças, a esperança de um futuro melhor. Explora também a alegria do palhaço mestre do sorriso, e dos artistas circenses, que se estende também a todos os artistas, inclusive a Didi, que fez do humor a combustão da felicidade.

 

O texto também tem um caráter de memória, uma vez celebra Renato Aragão, indivíduo que teve uma carreira que se confunde com a televisão brasileira, sobretudo com o grupo Os Trapalhões – Didi, Dedé, Mussum, e Zacarias.

 

O elenco no geral dá conta do recado, interpretando, cantando e realizando as coreografias de forma entrosada e harmônica.

 

O ator Rafael Aragão interpreta Renato Aragão. Ele tem uma atuação de qualidade e merecedora de elogios. Ele tem uma interpretação adequada, e emociona. Canta com afinação, entonação, e apresenta um bom timbre de voz. Domina o texto e o palco. Portanto, ele tem uma atuação deferida e digna de aplausos.

 

Em parceria com Rafael Aragão, estão os demais Trapalhões interpretados pelos respectivos artistas: Dedé, Mussum e Zacarias (interpretados por Thadeu Torres, Rupa Figueira, e Vicenthe Delgado). Os quatro juntos comovem a plateia!

 

Renato Aragão tem uma participação especial no fim do espetáculo. Assistir o musical com o homenageado no palco é uma emoção ímpar!

 

A direção de José Possi Neto é acertada, ao enfatizar a emoção e o tom afetuoso do musical. Ele realizou as marcações precisas e certeiras, e deu uma direção ao elenco que tem uma atuação adequada e comovente.

 

A direção musical de Diego Salles é correta, uma vez que as músicas se encaixam com o contexto da vida do homenageado, e com as cenas do espetáculo.

 

Os figurinos criados por Theodoro Cochrane são criativos, coloridos, de bom gosto, e adequados ao espetáculo.

 

A cenografia criada por Cesar Costa é simples, pouco criativa e colorida. Ponto negativo do musical!

 

A iluminação criada por Wagner Freire apresenta um bonito desenho de luz, e contribui para realçar a interpretação do rlenco de seus personagens. Ademais, a luz cria e marca o ritmo e o dinamismo do espetáculo. Ela varia de acordo com o contexto das cenas, complementando as falas dos atores e produzindo uma sensação.

 

O responsável pelas coreografias e direção de movimento é Alonso Barros, cuja criação foi marcada por bonitos desenhos coreográficos, harmônicos e compactos, que exploram o humor físico, e deu ao musical um dinamismo ímpar.

 

Marco França e Fernando Suassuna são os criadores da trilha sonora, cujas músicas são poéticas e melodiosas, e as letras apresentam um conteúdo que ajuda a compreender a narrativa do musical.

 

Na seleção das músicas está o samba-de-enredo da Unidos do Cabuçu para o carnaval de 1988 em homenagem aos Trapalhões. Adequada escolha!

 

O musical não é uma mega produção, mas é realizado com zelo e cuidado. Faltou um grupo de músicos para acompanhar o elenco. A presença de uma orquestra dá uma sonoridade e um ritmo mais pertinente a um musical.

 

Ótima produção cênica!

 

 

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Alex Varela Gonçalves

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