
Assim como Quincy Jones produziu todo mundo, Paulinho da Costa gravou com todo mundo, também. Amigos de longa data, os dois atravessaram juntos décadas contribuindo para o sucesso de diversos artistas. Ambos modernizaram a indústria fonográfica e mostraram que sua origem, não define o seu destino. O brasileiro, nascido na Zona Norte do Rio de Janeiro, é descrito por toda a sorte de artistas como o coração de incontáveis hits. Seu groove, seu talento e especialmente, seu sorriso, estão em diversas composições. Paulinho é um dos maiores pulsos criativos de todos os tempos. A prova incontestável que a percussão é o som que mais se aproxima da batida do coração.
É difícil não identificar com quem ele trabalhou. Michael Jackson, Seal, Alcione, Jon Bon Jovi, Whitney Houston, Tom Jobim, estão entre os que conseguiram ter em seus registros audiofônicos um dos instrumentistas mais requisitados do planeta. Clássicos como I Will Survive, Wanna Be Startin’ Somethin, We are the World contaram com sua colaboração, fazendo desse portelense uma testemunha única de alguns dos grandes momentos da história da música. Sua paixão pela escola de Madureira, aliás, tem um papel fundamental na sua iniciação musical. Na bateria da agremiação vinte e duas vezes campeã do carnaval carioca, ele fez os primeiros movimentos que o tornaram único na arte de dominar as baquetas e reproduzir sons de forma singular, com o toque de suas mãos. Tudo o que é dito a seu respeito não é superlativo a toa. E para entender melhor a trajetória dessa lenda, chega à Netflix o documentário Groove under the Groove: Os sons de Paulinho da Costa.
Cobrindo sua vida desde a infância pobre e sem perspectivas, o filme de Oscar Rodrigues Alves abraça um personagem que seja com colheres, um berimbau ou um pandeiro, temperou o mundo sempre com um sorriso no rosto. E essa expressão conquistou todos os que tiveram o privilégio de trabalhar com ele. Sua felicidade na execução de seu ofício o levaram muito além de onde ele ousou tentar chegar. Oscar faz um recorte carinhoso, sustentado numa pesquisa exemplar da importância de um tipo que manteve o seu sotaque vivo por todo o lugar que passou e tocou.





