Num Banco Vermelho…

Estreou Fim de Tarde no teatro do Centro Cultural da Justiça Federal.

 

O texto de Marcelo Aquino é ficcional, dramático, tenso, reflexivo, crítico, expõe preconceitos, anti-polarizações, anti violência, valoriza o diálogo e as relações humanas, valoriza a figura feminina, antipatriarcado, e antimisógino. Apresenta uma dramaturgia contemporânea, engajada, uma linguagem poética, rica em metáforas e imagens consistentes, utiliza o absurdo, e apresenta uma postura crítica social ácida para refletir sobre a sociedade atual, sobretudo a violência estrutural contra a mulher.

 

O texto narra um encontro inesperado, num banco vermelho numa praça pública, entre três pessoas (um executivo corrupto, um indivíduo em situação de vulnerabilidade social, e uma meretriz) cujos destinos se cruzam pouco antes do pôr do sol. À medida que as verdadeiras intenções e motivações de cada um vêm à tona, revelam-se também as profundezas do preconceito, da polarização e das violências, dentre as quais, a de gênero.

 

O elenco é integrado por dois atores e uma atriz: Larissa Maciel, e os atores Roney Villela e Miguel Tavares. O trio está unido, entrosado e afinado. Eles interpretam com qualidade e de forma convincente. E emocionam também, comovem, ganhando destaque Larissa Maciel em sua excelente apresentação, quando deixa transparecer em sua fala pulsante as atitudes de violência realizadas contra as mulheres e a persistência das desigualdades de gênero. Ela é potente! Eles dominam o texto, apresentando de forma clara, com uma linguagem acessível e de fácil assimilação, e estabelecendo diálogos que fluem de forma ágil, e repletas de tons e nuances. Dominam o palco, se movimentando intensamente e preenchendo os espaços, sobretudo da parte dianteira do palco. Estabelecem uma boa comunicação com o público. Portanto, uma atuação deferida e merecedora de elogios.

 

A direção de Marcelo Aquino focou no texto, e deixou os atores livres no palco para realizarem a atuação de qualidade. Mas também interviu com momentos de grandes pausas e silêncios.

 

Os figurinos criados por Paloma Atanes são adequados, facilitam a locomoção dos atores pelo palco, e são de bom gosto. São roupas do quotidiano.

 

A cenografia é mínima, combina as cores branca e vermelha, simples, mas repleta de conteúdo. Por exemplo, o banco vermelho assume funções múltiplas, tornando-se um território de disputa, um espaço de abrigo precário, e lugar de revelações.

 

A iluminação de Paulo Cesar Medeiros apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo, e complementando as falas.

 

A trilha sonora é comovente e intensa.

 

Fim de Tarde apresenta uma dramaturgia crítica e contemporânea, e um elenco com uma atuação convincente, e qualitativa.

 

Excelente produção cênica!

 

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