
Depois de uma temporada intensa de Sol, mar e calor, é comum que os fios deixem de responder como antes: ficam opacos, ásperos ao toque, difíceis de pentear e com pontas mais finas e fragilizadas. Mesmo com o uso de produtos de qualidade, muitas mulheres percebem que o cabelo continua sem vida, o que indica que o problema pode ir além da superfície.
A explicação está na exposição contínua a fatores típicos do Verão. O contato frequente com Sol e água do mar compromete a proteção natural da fibra capilar, deixando os fios mais vulneráveis, ressecados e com maior tendência à quebra. Esse desgaste progressivo impacta diretamente a estrutura do fio, o que justifica a perda de brilho e resistência mesmo após a rotina de cuidados em casa.
Neste cenário, insistir apenas em produtos de uso domiciliar pode não ser suficiente. Quando o fio já apresenta sinais de dano estrutural, a abordagem precisa ser mais profunda, começando por uma avaliação especializada do couro cabeludo e da fibra capilar. Protocolos como a MMP capilar (técnica de microinfusão de ativos diretamente no couro cabeludo) atuam no folículo, fortalecendo a base do fio e promovendo a recuperação da qualidade desde a raiz.
Conversamos com a médica Alexandra Lopes, especialista em Medicina Capilar da Onne Clinic (RJ). Confira!
JP – Quais são os principais sinais de que o dano capilar vai além do ressecamento superficial?
Quando o dano ultrapassa o ressecamento superficial, os sinais costumam ser mais persistentes e estruturais. O cabelo perde elasticidade, ou seja, quebra com facilidade ao ser tensionado, apresenta pontas afinadas e aspecto irregular ao longo do fio. Também é comum observar aumento da porosidade, dificuldade de reter hidratação, mesmo após tratamentos, e maior formação de nós. Em alguns casos, há redução da densidade percebida, já que fios fragilizados tendem a se romper antes de completar seu ciclo natural.
JP – Por que, em alguns casos, os produtos de uso em casa não conseguem recuperar a qualidade dos fios?
Os produtos de uso domiciliar atuam, em sua maioria, na camada mais externa do fio, promovendo melhora sensorial e temporária. No entanto, quando há comprometimento mais profundo da fibra capilar, especialmente da estrutura proteica interna, ou quando o problema envolve o funcionamento do folículo, esses cosméticos não conseguem reverter o quadro sozinhos. Nesses casos, é necessário associar tratamentos que atuem de forma mais profunda e, muitas vezes, diretamente no couro cabeludo, onde o fio é formado.
JP – Como a exposição ao Sol e ao mar altera, na prática, a estrutura da fibra capilar?
A radiação ultravioleta promove degradação das proteínas do fio, principalmente a queratina, além de oxidar os lipídios naturais responsáveis pela proteção da fibra. Já a água do mar, rica em sal, intensifica a desidratação e aumenta a aspereza da superfície capilar. Esse conjunto de fatores leva à abertura das cutículas, perda de massa capilar e redução da resistência mecânica do fio, o que explica o aspecto opaco, áspero e a maior propensão à quebra após o Verão.
JP – Em quais situações tratamentos como a MMP capilar passam a ser indicados?
A MMP capilar é indicada quando há sinais de enfraquecimento dos fios associados a alterações no couro cabeludo ou quando os tratamentos convencionais não apresentam resposta satisfatória. Ela é especialmente útil em casos de queda capilar, fios que nascem mais finos ou fragilizados e em situações em que se deseja estimular diretamente o folículo. Por meio da microinfusão de ativos, conseguimos entregar substâncias específicas de forma mais eficaz, promovendo melhora da qualidade do fio desde a sua origem.





