
Por Henrique Pinheiro – Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto” autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
O governo de João Goulart não caiu por seus defeitos. Caiu por suas virtudes. Foi sendo tensionado por dentro.
Entre 1961 e 1964, o Brasil não estava apenas polarizado. Estava dividido dentro do próprio governo. De um lado, havia um projeto de transformação. Reformas de base, ampliação de direitos, redistribuição.
Um país tentando mudar sua estrutura. De outro, a necessidade de sobreviver no sistema internacional. Crédito externo, inflação, dependência financeira.
Um país que precisava negociar.
Essa contradição tinha nomes.
Na Fazenda, Walter Moreira Salles.
Política ortodoxa, combate à inflação, credibilidade externa. O objetivo era reabrir portas.
No Trabalho, João Pinheiro Neto.
Organização sindical, confronto político, soberania.
Era a base dentro do Estado.
Foi nesse período que nasceu a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. Criada por João Pinheiro Neto no Ministério do Trabalho.
A entidade que existe até hoje.
Deu voz a milhões de trabalhadores rurais.
O campo deixou de ser silêncio.
Passou a ser força política.
No exterior, Jango buscava equilíbrio.
Dialogava com John F. Kennedy. Buscava crédito sem abrir mão de posição.
Mas o equilíbrio era instável. Enquanto um lado negociava com o FMI, outro denunciava sua influência.
Enquanto se buscava estabilidade, avançavam reformas. Não havia síntese.
Havia tensão. E ela crescia. As elites reagiam.
Os militares desconfiavam. Os Estados Unidos pressionavam.
A base exigia mais. Para uns, o governo ia longe demais. Para outros, não ia o suficiente. Era um governo cercado.
Mas, acima de tudo, dividido. Não por falta de rumo. Mas por excesso de frentes.
Jango tentava sustentar o equilíbrio. Entre o possível e o necessário. Entre o sistema e a mudança. Não conseguiu.
O golpe não encerra apenas um governo.
Encerra uma tentativa.
A tentativa de reformar sem romper.
De mudar sem quebrar. No fim, o Brasil escolheu.
E escolheu interromper.
As contradições não desapareceram.
Apenas mudaram de lugar.
Entre 1961 e 1964, o Brasil não estava apenas polarizado. Estava dividido dentro do próprio governo. De um lado, havia um projeto de transformação. Reformas de base, ampliação de direitos, redistribuição.
Um país tentando mudar sua estrutura. De outro, a necessidade de sobreviver no sistema internacional. Crédito externo, inflação, dependência financeira.
Um país que precisava negociar.
Essa contradição tinha nomes.
Na Fazenda, Walter Moreira Salles.
Política ortodoxa, combate à inflação, credibilidade externa. O objetivo era reabrir portas.
No Trabalho, João Pinheiro Neto.
Organização sindical, confronto político, soberania.
Era a base dentro do Estado.
Foi nesse período que nasceu a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. Criada por João Pinheiro Neto no Ministério do Trabalho.
A entidade que existe até hoje.
Deu voz a milhões de trabalhadores rurais.
O campo deixou de ser silêncio.
Passou a ser força política.
No exterior, Jango buscava equilíbrio.
Dialogava com John F. Kennedy. Buscava crédito sem abrir mão de posição.
Mas o equilíbrio era instável. Enquanto um lado negociava com o FMI, outro denunciava sua influência.
Enquanto se buscava estabilidade, avançavam reformas. Não havia síntese.
Havia tensão. E ela crescia. As elites reagiam.
Os militares desconfiavam. Os Estados Unidos pressionavam.
A base exigia mais. Para uns, o governo ia longe demais. Para outros, não ia o suficiente. Era um governo cercado.
Mas, acima de tudo, dividido. Não por falta de rumo. Mas por excesso de frentes.
Jango tentava sustentar o equilíbrio. Entre o possível e o necessário. Entre o sistema e a mudança. Não conseguiu.
O golpe não encerra apenas um governo.
Encerra uma tentativa.
A tentativa de reformar sem romper.
De mudar sem quebrar. No fim, o Brasil escolheu.
E escolheu interromper.
As contradições não desapareceram.
Apenas mudaram de lugar.


