Governo parlamentarista – Parte 2 – A “Divina” Elizabeth Cardoso canta pela volta do presidencialismo

Por   Henrique Pinheiro  –  Economista, produtor executivo do documentário Terra Revolta, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
“Meu povo, está na hora de acabar a confusão / Toda a nação vai responder que não! / O parlamentarismo tá indo mal / Todo o meu povo com razão vai responder que não, não e não!”
Era a voz de Elizeth Cardoso (1920–1990), a “Divina” uma das maiores intérpretes da música brasileira, entrando na campanha que tomava conta do país.
Elizeth já havia emprestado sua voz à política. Em 1960, na campanha Jan-Jan, gravara “Vamos Jangar”, em apoio à candidatura de João Goulart à Vice-Presidência.
Pouco mais de dois anos depois, sua voz voltava a acompanhar Jango em outro momento decisivo.
Em 6 de janeiro de 1963, da seca do Nordeste aos grandes centros industriais de São Paulo e do Rio de Janeiro, milhões de brasileiros foram às urnas para decidir se o país continuaria sob o parlamentarismo adotado durante a crise da Legalidade ou voltaria ao presidencialismo.
A campanha pelo “Não” ganhou as ruas, o rádio e a música popular.
O rádio, que havia sido uma arma decisiva durante a Legalidade, voltava ao centro da política brasileira.
Dessa vez, não para garantir a posse de Jango.
Mas para devolver-lhe os poderes presidenciais.
Quando as urnas foram abertas, a resposta foi avassaladora:
Oito, em cada dez votos válidos. disseram NÃO à continuidade do parlamentarismo.
João Goulart recuperava os plenos poderes presidenciais.
Politicamente, era uma vitória extraordinária para Jango.
Depois de dezesseis meses governando com seus poderes limitados, finalmente poderia exercer plenamente a Presidência da República. Mas o relógio já corria.
Jango tinha de volta os poderes presidenciais.
Recebia também, por inteiro, o peso da crise brasileira.
Restavam menos de quinze meses.
Em 1964, João Goulart seria derrubado pelo golpe que interromperia a democracia brasileira por mais de duas décadas.
FOTO: Elizeth Cardoso (1920–1990), a “Divina”, diante do microfone. Uma das maiores vozes da música brasileira, Elizeth emprestou seu canto à campanha do “Não” no plebiscito de 6 de janeiro de 1963, que restaurou o presidencialismo e devolveu a João Goulart os plenos poderes presidenciais.
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