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Passeio Completo: Manouche – Música para ouvir, pizza para ficar

Passeio Completo: Manouche – Música para ouvir, pizza para ficar

Há lugares no Rio em que a gente vai pelo endereço. E há lugares em que o endereço passa a ser o programa. O Manouche está se tornando um desses.

No subsolo da Casa Camolese, no Jardim Botânico, o espaço é lindo, aconchegante e tem uma programação que está ficando cada vez mais sofisticada. E há uma vantagem adicional: estar ali é uma ótima desculpa para terminar a noite com uma pizza.

Mas não é só pela pizza.

O Manouche começa a entrar naquela categoria rara de casas em que a qualidade da música que se ouve só costumamos encontrar nos grandes templos da música instrumental.

A programação de setembro dá a medida dessa ambição.

No dia 19, Jonathan Ferr faz a última apresentação de “Experiência Cura”, seu show-ritual em que jazz contemporâneo encontra pontos de umbanda e MPB. Pianista de uma música livre de rótulos, Ferr percorre repertório dos álbuns Cura e Liberdade, além de apresentar novidades de LAR, seu trabalho mais recente. Com ele estarão Sarah Cesario, no violino, Camila Pereira, na viola, e Lúrian Moura, no cello.

Dia 23 é a vez de uma verdadeira declaração de amor à música instrumental brasileira: “Nas Notas de Luiz Eça” reúne Igor Eça, filho do homenageado, Carlos Malta, Marcos Nimrichter e Jurim Moreira.

Luiz Eça, pianista, compositor, arranjador, professor e líder do Tamba Trio, foi daqueles músicos que não apenas fizeram música: ajudaram a mudar a maneira de fazê-la. Seus arranjos e sua influência atravessaram gerações e chegaram a nomes como Edu Lobo, Ivan Lins, Milton Nascimento, Dori Caymmi, João Bosco e Djavan.

O repertório recupera arranjos de Eça e obras de grandes compositores brasileiros, celebrando os 90 anos que o músico completaria.

No dia seguinte, 24, o Manouche recebe outro nome de peso: o carioca Luiz Paulo Simas, pianista, cantor e compositor radicado em Nova York, com participações de Lydia Simas e Carlos Malta.

Simas tem uma história que parece uma enciclopédia da música brasileira: tocou com Raul Seixas, Roberto Carlos, Elza Soares, Marília Pêra, Lobão, Ritchie e Oswaldo Montenegro, integrou o Vímana e foi o primeiro músico no Rio a utilizar um sintetizador. Depois levou sua música para Nova York, onde se apresentou em importantes clubes e salas de jazz.

No Manouche, vem acompanhado por Di Stéffano, na bateria, e Rodrigo Villa, no baixo, em um repertório que passa por Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil e suas próprias composições.

Três noites, três propostas diferentes, mas uma mesma ideia: música de qualidade, em um lugar onde o público consegue realmente escutar o músico.

E talvez esteja aí o maior charme do Manouche. Cem lugares, público sentado, proximidade entre artista e plateia e uma programação que não trata música instrumental como música de fundo.

Você vai para ouvir.

E, depois, pode ficar para comer.

Afinal, estamos no Rio. Uma boa música merece uma boa pizza.

Serviço

Local: Manouche (Rua Jardim Botânico, 983, – subsolo da Casa Camolese/Jd. Botânico)

Vendas: https://linktr.ee/clubemanouche

Carioca, professora, publicitária, colunista e doutora em Artes e Indústria do Entretenimento, Claudia Chaves vive entre teatros, restaurantes, bares e museus em busca de boas histórias. Já escreveu para a Mastercard Black, Veja Rio, Jornal do Brasil e outros veículos. Nesta coluna, junta gastronomia e teatro como quem sabe que grandes espetáculos também acontecem à mesa. Observadora profissional da vida carioca, ela acredita que uma boa conversa pode começar num palco e terminar num bar. E faz um ótimo camarãozinho com chuchu