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O Mar Como Espaço dos Submersos

O Mar Como Espaço dos Submersos

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Estreou Senhora dos Afogados no Espaço Ação da Cidadania.

A realização é de Teatro Oficina Uzyna Uzona.

O texto de Nelson Rodrigues é dramático, tenso, conflituoso, trágico, relacional, emocionante, polêmico, alucinação, delírio, relaciona teatro e elementos audiovisuais, contemporâneo. Apresenta-se dividido em dois atos.

O texto deixa transparecer o submundo da sociedade, o dilaceramento das relações familiares, marcado por temas como traição, assassinatos, mortes, imoralidades, falta de pudor, mentiras, meretrício, entre outros.

O elenco é integrado por um número extenso de atores e atrizes. Eles estão unidos, entrosados, ajustados, vibrantes, e pulsantes. Eles interpretam de forma refinada, e emocionam. Eles dominam o texto, transmitindo com clareza, emoção, beleza e poesia. Suas falas são complementadas por materiais audiovisuais. Dominam o palco, se movimentando intensamente e ocupando todos os espaços. E olha que o palco do Espaço Ação da Cidadania é extenso. Portanto, uma atuação impecável e merecedora de elogios.

Screenshot_20261005_214302_Drive-240x300 O Mar Como Espaço dos SubmersosLeona Cavali como Eduarda, a matriarca da família; Marcelo Drumond como  Misael, o pai, juiz, rodeado por segredos; e Lara Tremouroux como Moema, a filha que nutre dissabores pela mãe e apaixonada do pai, se destacam. O trio forma o núcleo principal da trama, deixando transparecer moralismo, poder e ressentimento no âmbito do núcleo familiar. Eles atuam intensamente, e de forma emocionante.

Regina Braga, que interpreta Dona Marianinha, a avó, também tem uma atuação bonita e de qualidade.

Cristina Mutarelli, Giulia Gam, Michele Matalon e Lígia Cortez  atuando como as vizinhas estão sensacionais.

Os atores são acompanhados por uma banda ao vivo, fato que dá uma sonoridade incrível ao espetáculo.

A direção de Monique Gardemberg é dedicada, ousada, corajosa, autêntica e emocionante, com marcações precisas que tornam o espetáculo dinâmico e bem conduzido, potencializando a qualidade das interpretações do elenco.

O figurino criado por Cássio Brasil é de bom gosto, adequado, predominam os tons preto e vermelho no primeiro ato, e multicoloridos no segundo ato, e facilitam o deslocamento do elenco pelo palco.

A cenografia criada por Marília Piraju é criativa, arrojada, e utiliza elementos audiovisuais que complementam as falas dos atores.

No primeiro ato visualiza-se a casa da família Drumond, ganhando destaque o quarto do casal. No segundo visualiza-se a praia, com areia espalhada por todo o palco, e um painel exposto numa das paredes.

A iluminação de Pedro Felizes e Sarah Salgado  apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação do elenco. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as atuações do elenco.

A trilha sonora de Monique Gardenberg é original, envolvente, e adequada às cenas.

Senhora dos Afogados é um texto conflituoso, trágico e dramático, que revela as mazelas da sociedade brasileira; um elenco grandioso, que interpreta e emociona; e utiliza de forma adequada elementos audiovisuais no espaço cênico.

Excelente e Imperdível Produção Cênica!