Hoje em “Chico Vartulli Convida” um bate-papo com o ator Guilherme Dellorto
Bom o balanço que eu tenho da minha carreira é muito positivo, principalmente a bagagem que eu acumulei durante esse tempo de experiência em sete de filmagem no palco. Eu fui filho de José Carlos Machado na novela Gênesis. Então eu pude observar Petrônio Gontijo, que também foi filho dele. São pessoas que já têm muito tempo de carreira, já passaram por muitas fases, historicamente, politicamente, e foram generosos a ponto de trocar sobre vários momentos deles. Eu acho que eu absorvi muita coisa quando tive essa oportunidade. Hoje eu estou no teatro com Alice Borges, que é uma mulher que já tem 50 anos de carreira, muito tempo da carreira dela dedicada ao teatro, assim como a Luiz de Abreu, que são pessoas que têm muito história e você vê como eles lidam no palco como estão na televisão Então assim meu balanço é positivo demais porque isso me traz também um pouco mais de experiência do Guilherme que se formou no teatro.
JP – Como se deu a sua formação como ator?
Quando eu entrei pro teatro já entrei no curso profissionalizante. Eu não fiz um curso livre. A minha intenção já era fazer o curso pra valer pra ver qual era de ser de fato e, como eu falei, já fiquei apaixonado de cara. Então, foi assim que que eu iniciei a minha formação.
JP – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) no campo teatral?
As minhas referências são muito dadas através das amizades que eu fui criando no teatro, dos trabalhos dos cursos. Eu fui fazendo amigos ao longo do tempo e através dos cursos que eu fui fazendo sempre muito voltado para uma coisa mais naturalista, pro jogo cênico, pra escuta, pra uma percepção de estar vivo em cena com outro ator sozinho com objetos. Através de cursos que eu fui fazendo com os amigos nós fomos nos moldando nesse formato. Fizemos curso com Eduardo Mille Vix que foi muito legal De câmera fizemos alguns cursos, inclusive um nós vamos até fazer um filme que não chegou a finalizar. A Aline Four e a Raquel inclusive agora colocaram no festival um pedaço desse filme que a gente fez. É uma referência muito grande na minha carreira por esse trabalho que ela tem com um curso que ela dá chamado escuta, que é baseado nisso e vocês está aberto a jogar com teu companheiro ou com qualquer objeto com espaço de forma verdadeira. Eu acho que muita da minha referência artística é baseado nesse lugar mais naturalista e mais verdadeiro possível.
JP – Como se deu a sua inserção no projeto teatral Víboras?
Foi um convite da Alice Borges. Nos conhecemos na novela Gênesis. A seguir, fizemos uma leitura de uma peça que ela iria dirigir. Aí ela foi muito generosa e me indicou ao Flávio.
JP – Qual é o personagem que você interpreta e quais são as suas características?
Faço o Jorge, um personal trainer, dono de um coração puro que pra complementar a renda faz um bico como garçom no bar “Desgarrada”, onde conhece as “Víboras” da peça.
JP – Você tem a experiência da televisão, do teatro e do cinema. Como você concilia a atuação nos três espaços? São a mesma área de atuação, ou há diferenças?
Não existe diferença em relação ao que sentimos em cena. Em qualquer trabalho o ator vai entregar a sua verdade cênica. Existem algumas diferenças técnicas de posicionamento pra luz e enquadramento. No cinema ficamos submetidos ao que mais funciona para câmera. O teatro contempla o ator de sentir o arco cênico do início ao fim, sem interrupção, com o corpo inteiro a mostra. E fica ao espectador a escolha de fazer o recorte que mais lhe chama atenção, seja pra olhar ao detalhe de um movimento da mão, seja pra olhar o espaço como um todo. Por isso, existe essa conexão no teatro, que só nele pode existir.
JP – Quais são os seus planos futuros?
Meu plano no momento é seguir com a peça até o dia 06 de dezembro, buscar novos trabalhos, seja no teatro ou no áudio visual, e a partir do ano que vem iniciar meus próprios projetos.


