×

Gestual, Comicidade e Clown em Narrativas de Experiências de Mulheres Que Viajam Sozinhas

Gestual, Comicidade e Clown em Narrativas de Experiências de Mulheres Que Viajam Sozinhas

Compartilhe nas Redes sociais

Estreou para uma nova temporada Daqui Também Me Voy no teatro Municipal

Ziembinski.

A idealização é de Cami Basterra e Florencia Santangelo.

A produção é de Fernando Alax – Casa136 Produções Artísticas.

O texto de Ana Carolina Sauwen (com colaboração de Cami Basterra e Florencia

Santangelo) é um diálogo, feminino, narra a experiência das mulheres que viajam

sozinhas e os seus dilemas, divertido, bem humorado, poético, mescla momentos

de riso com assuntos sérios, valoriza a latinidade, liberdade, humanista, e

contemporâneo.

O texto busca se afastar de uma visão que romantiza a mulher viajante, mostrando

que a figura feminina que vive esta experiência passa por tensões, medos,

opressões, situações de vulnerabilidade, calamidades, obstáculos, e solidão.

Valoriza a experiência feminina da viagem como resistência.

As atrizes protagonistas são Cami Basterra, que interpreta Alucinda, e Florencia

Santangelo, que interpreta Magnolia. Elas estão unidas, entrosadas, afinadas,

vibrantes e intensas. Elas atuam com uma interpretação de qualidade, e divertem.

Inicialmente, elas não utilizam a palavra falada. Elas estão se conhecendo,

olhates desconfiados, e visualizando as suas diferenças. Utilizam todo um gestual

e expressões corporais, associando

o humor físico, o clown e o teatro gestual. Num segundo momento, elas se

aproximam, se tornam amigas, passam a se identificar, e compartilhar medos e

vulnerabilidades. A partir desse momento, a palavra falada passa a ser utilizada.

Elas cantam, se abraçam, e realizam movimentos circenses. Elas dominam o

palco, se movimentam intensamente, e preenchem todos os espaços. Portanto,

uma atuação de qualidade, e vibrante.

A direção é de Ana Carolina Sauwen que focou no texto, e deixou as atrizes a

vontade naquela palco para realizarem a sua atuação que articula clown, teatro

gestual e comicidade.

Os figurinos criados por Raquel Theo são de bom gosto, adequados às

personalidades das personagens, e facilitam a atuação das atrizes.

A cenografia criada por Yasmin Lira é simples, constituída basicamente por

objetos como malas, garrafas, xícaras, copinhos, tênis, patins, entre outros. No

chão há um plástico cinza com marcações.

A direção musical de Bruno Tognola é latinidade pura, unindo canções de distintos

ritmos como tango, funk, candombe e canções populares latino-americanas.

Vale sublinhar que o espetáculo mescla o português com o castelhano, sem

causar qualquer embaraço ou dificuldade, inclusive no título da peça teatral.

A Iluminação de Juliana Moreira é boa! Apresenta um desenho de luz que contribui

para realçar a interpretação das atrizes. A variação luminosa acompanha o

contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando a atuação da

dupla protagonista.

A direção de movimento de Ruy rUy ruY é perfeita e de qualidade, conferindo ao

espetáculo um dinamismo e produzindo uma movimentação intensa, produto da

mescla do gestual, do clown e do circo.

O espetáculo presta uma homenagem à memória da palhaça venezuelana Julieta

Hernández, assinada no Amazonas, em 2023, por meio de uma gravação de sua

voz. Ela foi assassinada quando viajava sozinha.

aqui também me voy é um espetáculo que nos apresenta a experiência das

mulheres que viajam sozinhas, por meio de um texto que utiliza o humor físico, o

clown e o teatro gestual; duas atrizes com atuação de qualidade e intensas; a valorização da latinidade, presente nas músicas, e na mescla das línguas.