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Lula, Lara Resende e a coragem de enfrentar os juros

Lula, Lara Resende e a coragem de enfrentar os juros

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Por Henrique Pinheiro –  Economista, produtor executivo do documentário “Terra Revolta”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, organiza “Crônicas que nunca contaram na escola” e a série “Entre Duas Cidades” – Colunista convidado.
 1º de novembro de 2026
 O encontro anunciado entre Lula e André Lara Resende, previsto para esta semana em Brasília, poderá abrir uma das discussões mais importantes sobre o futuro econômico brasileiro.
 Um dos formuladores do Plano Real, Lara Resende publicou recentemente um artigo de título contundente: “Eu Acuso”.
 Sua tese é direta: o Banco Central, ao manter juros extraordinariamente elevados, contribui para produzir o desequilíbrio fiscal que afirma combater.
 Há também uma ligação familiar com André Lara Resende. Ele é neto de Israel Pinheiro, responsável pela construção de Brasília e filho de João Pinheiro da Silva, presidente de Minas Gerais entre 1906 e 1908.
 Eu também sou bisneto de João Pinheiro da Silva, defensor da educação pública, da industrialização e do desenvolvimento nacional.
 Mais de um século depois, continuamos discutindo os obstáculos ao crescimento brasileiro.
 Os números apresentados por Lara Resende impressionam.
 Em junho de 2026, a dívida pública bruta alcançava R$ 10,9 trilhões, equivalentes a 82,5% do PIB.
 Com custo médio anual de 12,68%, isso representa aproximadamente R$ 1,4 trilhão em encargos financeiros anualizados.
 Enquanto isso, o debate econômico permanece concentrado nas despesas com saúde, educação, previdência e investimentos públicos.
 Mas quem discute o custo financeiro do próprio Estado?
 O Brasil convive há décadas com uma estrutura que remunera generosamente o capital financeiro e penaliza quem trabalha e produz.
 O empresário paga caro para investir. A indústria perde competitividade. As famílias enfrentam taxas exorbitantes para financiar suas necessidades.
 Não se trata de negar a importância do combate à inflação ou da responsabilidade fiscal.
 Trata-se de questionar por que precisamos pagar juros reais tão elevados, entre os maiores do mundo.
 Lara Resende propõe coordenar as políticas fiscal e monetária e reduzir gradualmente a Selic para aproximadamente 7,5% ao ano.
.A proposta exige discussão sobre seus riscos, mas representa uma alternativa ao modelo atual.
 Mais de sessenta anos depois das grandes discussões sobre as reformas estruturais brasileiras, continuamos diante de uma questão fundamental: até quando o desenvolvimento nacional ficará subordinado aos interesses financeiros?
 O encontro entre Lula e Lara Resende pode representar uma oportunidade para enfrentar esse debate.
 O Brasil precisa de estabilidade monetária, mas também de investimentos, empregos, indústria competitiva e educação.
 Nenhum país constrói prosperidade permanente transformando o pagamento de juros em uma de suas principais prioridades econômicas.
 Quem terá coragem de enfrentar uma estrutura que remunera tão generosamente o capital e cobra tão caro de quem trabalha e produz?
 Essa discussão não pode continuar sendo adiada.