Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2025
  • dezembro
  • O Amor
  • Agenda
  • Colunistas

O Amor

Luiz Claudio de Almeida 4 de dezembro de 2025 4 minutes read
WhatsApp Image 2025-12-04 at 17.38.39
Redes Sociais
           
Por Guilherme Fainberg  –  Médico com formação winnicottiana – Colunista convidado.
     Há quem diga que o amor nasce no instante em que dois olhos se reconhecem, mas talvez ele exista antes da história, antes da palavra, antes mesmo da primeira fala. Talvez seja música antiga que atravessa gerações, rumor de mar que chamava antes de sabermos nos expressar.
   O amor pode ser retorno a um colo perdido, reencontro com uma promessa que nunca lembramos ter recebido. Uma fome inicial, um espaço vazio que pede forma, uma ausência que organiza toda a busca. Amamos para reconstruir aquilo que se perdeu, para reencontrar o que acreditamos ter sido um dia, para voltar à casa que nunca existiu e ainda assim permanece como destino. O amor é saudade do que não vivemos, é sede que antecede a água.
  Mas o amor não é plenitude. Ele exige renúncia, fronteira, risco. Não existe amor onde um se apaga para que o outro floresça.
   O amor pede a condição do encontro, e encontro só existe onde há dois. Amar é suportar o enigma do outro e permanecer diante dele. É aceitar o desconhecido que cada um carrega como uma sombra inseparável. Amar é permitir que o outro habite nossa memória, mesmo sabendo que ele não nos pertence. O amor se faz no limite, na negociação incessante entre desejo e cuidado, fome e acolhimento.            Amar é dar sem perder-se, receber sem devorar. Há amores que chegam como incêndio e se consomem no próprio fogo. Há outros que começam quase invisíveis, plantados no cotidiano, e crescem devagar como árvore silenciosa que resiste à estação mais dura. Alguns duram uma noite e deixam marcas de eternidade.             Outros,  duram a vida e, ainda assim, parecem curtos. O tempo não define o amor, é o amor que fabrica o tempo. Porque o amor é duração interior, é aquilo que permanece mesmo quando tudo já foi. Amar é escrever o próprio destino enquanto ele se cumpre.
    É ser autor da própria perda e da própria salvação. O amor verdadeiro carrega contradição. Ternura e dor convivem, alegria e ruína se abraçam. No coração humano dormem poemas e abismos. E é justamente ali que o amor trabalha, na fronteira entre o que sustenta e o que ameaça. Já houve quem descesse à alma humana como quem desce ao subsolo de si mesmo, encontrando a beleza amarrada à culpa, descobrindo que a compaixão nasce do limite. Já houve quem escrevesse vidas inteiras a partir de um detalhe mínimo, de uma xícara sobre a mesa, de um silêncio suspenso entre duas pessoas.
     O amor é assim, invisível e imenso ao mesmo tempo. Há ainda o amor que aprende com a terra, com o vento, com as histórias narradas ao pé da noite. O amor que sabe que as palavras às vezes caminham para trás, que o tempo se dobra, que o impossível também floresce. Amar é desaprender para sentir de novo. É transformar-se em casa para que o outro possa respirar. É aceitar que tudo o que chamamos de amor talvez seja apenas o desejo de continuar vivo diante do que morre. E mesmo assim insistimos. Insistimos no risco, na entrega, no salto sem rede.
   Amar é caminhar sobre ruínas e ainda assim sorrir. É entregar o coração sabendo que pode ser ferido, é escolher o outro mesmo quando a noite é longa. Amar é perder um pouco para existir melhor. Amamos não pela felicidade que promete, mas porque sem amor a alma seca. Sem amor, sobrevivemos apenas e sobrevivência não basta a quem conhece o infinito por dentro. O amor é fome e é pão. É queda e ascensão. É o que resta quando o naufrágio passa. Mas o amor não termina na perda. Ele se desfaz, quebra, se dispersa, e ainda assim retorna. Volta como onda que reconhece o caminho da praia, volta como verso que se recita sozinho, volta como memória que se recusa ao esquecimento. O amor é o retorno do que valeu a dor. Amar é reencontrar-se no outro e reencontrar o outro em si.
    E então, quando tudo parece ruir, quando a vida se mostra áspera, quando as mãos estão vazias, o amor reaparece. Não como promessa, mas como revelação. Descobrimos que amar é acordar para a própria humanidade, é aceitar que somos frágeis, imperfeitos, inacabados. O amor nos devolve ao que somos antes de qualquer defesa, antes de qualquer máscara. O amor é o ponto onde começamos e para onde voltamos.

About the Author

Luiz Claudio de Almeida

Administrator

View All Posts

Post navigation

Previous: Homenagem da UFF: Prata da Casa
Next: João Pinheiro Neto: A Memória Que Não Morre

Postagens Relacionadas

IMG-20260627-WA0045
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.

Chico Vartulli 23 de julho de 2026
4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.
  • LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • CBF incompetente
  • Charge do Dia
  • De Ser Humano a Inseto

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • IMG-20260627-WA0045
    Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.
  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

IMG-20260627-WA0045
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.

Chico Vartulli 23 de julho de 2026
4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026
IMG-20260722-WA0000
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • IMG-20260627-WA0045
    Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.23 de julho de 2026
  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro22 de julho de 2026
  • images (4)
    CBF incompetente22 de julho de 2026

Tags

Arte beija-flor Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Centro Cultural Correios Cinema crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira Mostra Natal OAB-RJ Política Portela Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.