Skip to content

JpRevistas

Revista eletrônica de informação, cultura e entretenimento.

Primary Menu
  • Home
  • Quem somos
  • Boa Leitura
  • Carnaval
  • Colunistas
  • Contato
  • Entrevista
  • Publicidade
Light/Dark Button
Contato
  • Home
  • 2025
  • dezembro
  • O impasse estrutural da COP de Belém: Dívida, clima e o limite das promessas
  • Arlindenor Pedro
  • Colunistas

O impasse estrutural da COP de Belém: Dívida, clima e o limite das promessas

Arlindenor Pedro 4 de dezembro de 2025 7 minutes read
WhatsApp Image 2025-12-04 at 17.45.00 (1)
Redes Sociais
           
Por Arlindenor Pedro  –   Professor de História, Sociologia e Filosofia, editor do Blog, Revista Eletrônica e canal YouTube Utopias Pós Capitalistas (@contato@utopiasposcapitalistas.com)
Como muitos, acompanhei a COP não como observador neutro, mas como alguém que entende que a crise climática não é uma falha colateral do sistema, mas expressão direta de sua própria lógica de funcionamento. Ao final dos debates, o que restou foi menos uma sensação de avanço e mais uma confirmação: Não há resolução verdadeira da catástrofe ecológica enquanto persistir a forma social que a produz.
    Essa forma só será ultrapassada quando a maioria da humanidade tomar ciência de suas causas e promover rupturas estruturais,  radicais, na nossa forma de relacionamento com a natureza. Isso passa pela superação do capitalismo como modo de produção que englobe toda a humanidade.
A proposta central de criar um “Mapa do Caminho”, uma tentativa de organizar o financiamento climático e planejar a transição energética coordenadamente, naufragou não por acaso. Ela colidiu com a estrutura mesma das relações internacionais contemporâneas, marcadas pela assimetria entre os que conseguem financiar e os que precisam de financiamento para sobreviver.
    A promessa de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035 para países em desenvolvimento foi esvaziada em nome do consenso. A linguagem dos documentos finais evitou termos como “fósseis”, “desmatamento”, “responsabilidades históricas”. O resultado foi um texto genérico, que acolhe o debate, mas não incorpora sua força vinculante.
Precisamos entender, entã,  que esse esvaziamento não foi acidental. Ele teve protagonistas claros. A Arábia Saudita e seus aliados no grupo árabe atuaram deliberadamente para bloquear qualquer menção ao abandono dos combustíveis fósseis. Foram protagonistas na retirada dos termos “phase out” (eliminação gradual) do texto final, e a pressão foi tamanha que chegou a ser denunciada, em reuniões internas, pelo próprio secretário-geral das Nações Unidas.
    A presença massiva de lobistas da indústria fóssil, mais de 1.600, segundo análise, superou a delegação de qualquer país, exceto o Brasil, e expôs sem disfarces a captura corporativa do processo decisório.
Enquanto isso, pairava no ar a sombra política de Donald Trump. Mesmo sem a presença de uma delegação federal completa dos Estados Unidos na COP de Belém , a influência do país se fez sentir. Os Estados Unidos, ainda entre os principais emissores históricos, adotaram uma postura hesitante e silenciosa. A ausência de participação ativa do governo norte-americano foi apontada como um dos fatores que enfraqueceram o processo de negociação. Sob o discurso da soberania econômica, da competitividade e da proteção aos setores ligados aos combustíveis fósseis, consolidou-se uma aliança informal entre os Estados Unidos e países como Arábia Saudita, Rússia e Irã.
    A política negacionista, mesmo fora do governo e operando indiretamente, continua sendo um entrave para qualquer avanço substantivo na diplomacia ambiental internacional.
Mas é importante sublinhar que a COP de Belém não se limitou à área diplomática oficial. Fora das negociações formais, na Zona Verde, nos pavilhões das ONGs, nas comunidades de base e nos coletivos sociais, ocorreu outro ciclo de debates, trocas e mobilizações que lançaram luz sobre o descompasso entre promessa e realidade. As comunidades indígenas, que tiveram presença recorde na conferência realizada em plena Floresta Amazônica, compareceram em peso e visibilidade. Em eventos paralelos, denunciaram a marginalização política, a violência territorial e o apagamento epistêmico. E, apresentaram outra cosmovisão possível, na qual natureza e humanidade não são dominação e objeto, mas relação viva.
Essa presença simbólica foi contrastada, porém, pela estrutura do evento. Estima-se que somente 14% dos indígenas brasileiros presentes tiveram acesso aos espaços de decisão. Belém, assim, foi simultaneamente palco de esperança e metáfora da exclusão. A floresta ao redor era não somente cenário ecológico, mas símbolo das contradições estruturais. Onde se deveria ouvir a voz da Terra, ecoava o ruído da diplomacia neutra e do cálculo técnico.
Na retórica, reiterou-se a importância da justiça climática. Na prática, a lógica da dívida, da austeridade e da rentabilidade manteve-se intacta. A proposta do presidente brasileiro, de abater dívidas impagáveis dos países pobres em troca de ações ambientais, revela esse ponto de fricção. Ela toca em uma verdade incômoda. Os que mais devastaram são os que ditam os termos da reparação.
Mas mesmo essa proposta, por mais justa que seja em sua intenção, carrega uma contradição interna. Transforma a destruição da natureza em unidade contábil, busca traduzir o incalculável em valor monetário. Assim, acaba por reafirmar a mesma matriz que critica. Se a floresta vira cifra, se o carbono vira ativo, então a lógica que destrói também é a lógica que compensa.
E, aqui, emerge uma tensão que atravessa toda a conferência. Mesmo aqueles que enxergam o perigo, que verbalizam a urgência da preservação da espécie, continuam aprisionados pelas exigências funcionais de um sistema que opera à revelia da consciência individual.
   A isso, Marx chamou de máscara de caráter. O indivíduo moderno, seja chefe de Estado, diplomata, CEO ou mesmo ativista institucionalizado, se move como personificação de uma função social. Não decide livremente, mas cumpre papéis definidos pela lógica da valorização. Por isso, mesmo quando vê, mesmo quando compreende, mesmo quando teme o colapso, o sujeito permanece subordinado às exigências do sujeito automático do capital.
A nossa esperança é que existem outros tipos de seres humanos ao lado desses existem outros. Que, sem máscara, sem função mercantil, sem o imperativo da rentabilidade, tentam interromper o curso automático da catástrofe. São comunidades indígenas que lutam por seus territórios, são jovens em rebelião contra o futuro inviabilizado, são cientistas dissidentes, pequenos agricultores, artistas, mães e pais que recusam a herança de cinzas. São, sobretudo, aqueles que perceberam que a escolha é entre a manutenção da lógica do valor e a possibilidade da existência humana. Não se trata de reformar, mas de romper. Não se trata de ajustar, mas de negar radicalmente o sistema que, se levado ao fim, levará ao fim não somente da civilização, mas da própria espécie.
Belém foi, nesse sentido, um espelho do tempo histórico que habitamos. Um tempo em que o colapso se anuncia em cada relatório científico, mas que infelizmente as soluções propostas ainda orbitam em torno da mesma estrutura que produz o colapso.      As conferências tornam-se rituais de promessa sem consequência, de linguagem performática sem execução. Tudo se diz em nome do futuro, mas o presente permanece preso a formas sociais que não podem ser reformadas. Somente superadas. É a presença de seres humanos não corrompidos pela lógica do capital que poderá dar um basta nisso: Iaanterromper a marcha insana da busca da valorização do valor que nos está levando ao precipício da extinção.
O fracasso do Mapa do Caminho, portanto, não é uma anomalia. É a regra. É a forma contemporânea do impasse. Queremos salvar o planeta, mas sem prescindir da lógica que o destrói, e isto é impossível! Belém, assim, não foi somente uma cidade-sede. Foi o nome de um limite. E de um chamado. O chamado pela criação de mecanismos que impeçam o capitalismo de crescer e nos destruir a todos.

About the Author

Arlindenor Pedro

Editor

View All Posts

Post navigation

Previous: “Mario Amura: Napoli Explosion. Fogos, Cores, Luzes”: Em clima de celebração de ano novo, a mostra encerra o calendário
Next: Moda que pensa, cria e inclui: a experiência futurista de Amanda Momente no Pop Plus

Postagens Relacionadas

IMG-20260627-WA0045
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.

Chico Vartulli 23 de julho de 2026
4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.
  • LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • CBF incompetente
  • Charge do Dia
  • De Ser Humano a Inseto

Recent Comments

Nenhum comentário para mostrar.

Archives

  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • março 2015

Categories

  • Agenda
  • Alex Cabral Silva
  • Alex Gonçalves Varela
  • Arlindenor Pedro
  • Arte Moderna
  • Boa Leitura
  • Carlos Monteiro
  • Carnaval
  • Category
  • Charge
  • Chico Vartulli
  • Cinema
  • Cinema
  • Civil Society
  • Cláudia Chaves
  • Climate
  • Colunistas
  • Conflict
  • Crônicas
  • Cultura
  • Democracy
  • Desfile das Campeãs
  • Divaldo Franco
  • Elda Priami
  • Entrevistas
  • Flávio Filipe
  • Gastronomia
  • Geopolitics
  • Geraldo Nogueira
  • Giuseppe Oristanio
  • Grande Rio
  • IMpério da Tijuca
  • Internacional
  • João Henrique
  • livro
  • Livros
  • Lu Catoira
  • Luis Pimentel
  • Luisa Catoira
  • Mangueira
  • Miguel Paiva
  • Mocidade Independente
  • Mostra
  • Musica
  • Negócios
  • News Analysis
  • Nosso Camarote
  • Odette Castro
  • Olga de Mello
  • Paraiso do Tuiuti
  • Patrícia Morgado
  • peça
  • política
  • Political Trends
  • Portela
  • Power
  • Ricardo Cravo Albin
  • Rogéria Gomes
  • Salgueiro
  • Samba
  • São Clemente
  • Sapucaí
  • Saúde
  • Show
  • Society
  • Teatro
  • Uncategorized
  • Unidos da Tijuca
  • Variedades
  • Vicente Limongi Netto
  • Vila Isabel
  • Viradouro
  • Viviana Navarro

Top News

  • IMG-20260627-WA0045
    Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.
  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro
  • (sem título)
  • (sem título)

Meta

  • Acessar
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.org

O que você perdeu...

IMG-20260627-WA0045
  • Chico Vartulli
  • Colunistas

Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.

Chico Vartulli 23 de julho de 2026
4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
  • Colunistas
  • Ricardo Cravo Albin

LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro

Ricardo Cravo Albin 22 de julho de 2026
images (4)
  • Colunistas
  • Vicente Limongi Netto

CBF incompetente

Vicente Limongi Netto 22 de julho de 2026
IMG-20260722-WA0000
  • Charge
  • Miguel Paiva

Charge do Dia

Miguel Paiva 22 de julho de 2026

Recent Posts

  • IMG-20260627-WA0045
    Hoje em Chico Vartulli Convida: Recomeçar é, sempre, Possível.23 de julho de 2026
  • 4a68fa73-4209-43ef-8533-0d215b1362c7
    LUIZ CARLOS BARRETO, companheiro de uma geração que acreditou no cinema brasileiro22 de julho de 2026
  • images (4)
    CBF incompetente22 de julho de 2026

Tags

Arte beija-flor Blocos de Carnaval Brasil Brasília Carnaval Carnaval de Rua Carnaval Rio 2026 Carnaval SP Centro Cultural Correios Cinema crime Cultura eleição Espetáculo Exposição Filme Flamengo Folia food Futebol Imperio Serrano Justiça LGBTQIA+ literatura Livro livros Lula Mangueira Mostra Natal OAB-RJ Política Portela Rio Rio de Janeiro RiodeJaneiro samba Sapucaí Senado sports teatro tech TJRJ travel

Site Produzido por Infomídia Digital | MoreNews by AF themes.