
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de Cinema – Colunista convidado.Herdei de meu avô materno não apenas o nome, mas um padrão de conduta.
Vasco Henrique D’Ávila foi ministro do Tribunal Federal de Recursos por 28 anos, em um tempo em que a magistratura ainda se guiava pelo silêncio, pela contenção e pela honra.
Passei férias com ele ainda criança, entre Brasília e Rio Pardo, sua cidade natal.
Era um homem de hábitos simples, seriedade quase austera e honestidade inegociável.
Não cultivava pompa, não frequentava salões, não buscava holofotes. A autoridade vinha do caráter, não do cargo.
No exercício da função, recusava receber advogados em seu gabinete.
Ao fim do ano, devolvia todos os presentes que lhe eram enviados.
Não se tratava de gesto teatral, mas de convicção íntima: Justiça não se agradece, se exerce.
Após seu falecimento, os discursos de seus colegas foram uníssonos.
Destacaram sua independência, sua coragem serena, sua elegância moral.
Lembraram um juiz “firme no conteúdo e suave na forma”, incapaz de transigir com pressões ou conveniências.
Era respeitado exatamente porque não se confundia com ninguém.
Não devia favores.
Não aceitava intimidades impróprias.
Não cruzava linhas.
O contraste com os dias atuais é desconfortável.
Hoje, ministros do Supremo Tribunal Federal circulam em jatos de empresários, participam de eventos patrocinados por interesses privados e naturalizam uma promiscuidade que meu avô jamais admitiria — nem em sonho.
Não se trata de nostalgia ingênua, mas de parâmetro ético.
A independência judicial não se proclama, se pratica.
E, começa pela recusa do privilégio, do agrado e da proximidade indevida.
Henrique D’Ávila não era ingênuo.
Era íntegro.
Em um país onde a liturgia do cargo vem sendo corroída pela conveniência, lembrar seu exemplo não é apenas homenagem familiar.
É um ato de resistência moral.
No exercício da função, recusava receber advogados em seu gabinete.
Ao fim do ano, devolvia todos os presentes que lhe eram enviados.
Não se tratava de gesto teatral, mas de convicção íntima: Justiça não se agradece, se exerce.
Após seu falecimento, os discursos de seus colegas foram uníssonos.
Destacaram sua independência, sua coragem serena, sua elegância moral.
Lembraram um juiz “firme no conteúdo e suave na forma”, incapaz de transigir com pressões ou conveniências.
Era respeitado exatamente porque não se confundia com ninguém.
Não devia favores.
Não aceitava intimidades impróprias.
Não cruzava linhas.
O contraste com os dias atuais é desconfortável.
Hoje, ministros do Supremo Tribunal Federal circulam em jatos de empresários, participam de eventos patrocinados por interesses privados e naturalizam uma promiscuidade que meu avô jamais admitiria — nem em sonho.
Não se trata de nostalgia ingênua, mas de parâmetro ético.
A independência judicial não se proclama, se pratica.
E, começa pela recusa do privilégio, do agrado e da proximidade indevida.
Henrique D’Ávila não era ingênuo.
Era íntegro.
Em um país onde a liturgia do cargo vem sendo corroída pela conveniência, lembrar seu exemplo não é apenas homenagem familiar.
É um ato de resistência moral.



