
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo de cinema – Colunista convidado. Quando cheguei para a entrevista no Banco Boavista, em 1986. antes mesmo de qualquer conversa, o prédio já havia decidido por mim.
Projetado por Oscar Niemeyer em 1946, o edifício era um manifesto silencioso da arquitetura moderna brasileira.
A fachada curva, ondulada, feita de tijolos de vidro, deixava a luz invadir o interior e criava um ambiente aberto, quase arejado — um contraste absoluto com o Banco Safra, onde salas revestidas de madeira escura impunham solenidade e distância.
Aceitei a proposta sem hesitar.
Aceitei a proposta sem hesitar.
Fui alocado na mesa de captação, área que, anos depois, ganharia o nome de private banking.
Ali, o ofício exigia mais do que números. Exigia postura, educação, sensibilidade e a capacidade de estabelecer vínculos de confiança com a clientela mais abastada do banco.
..Era um trabalho moldado tanto pela técnica quanto pelo comportamento.
O Banco Boavista tinha uma característica rara. Era, de fato, familiar.
O Banco Boavista tinha uma característica rara. Era, de fato, familiar.
Os donos circulavam pelos corredores, cruzavam conosco diariamente, criando a sensação — cada vez mais rara no sistema financeiro — de pertencimento.
Não éramos apenas funcionários.
Éramos parte de uma engrenagem viva.
Atendi clientes históricos, amigos próximos dos controladores, parentes dos próprios banqueiros.
Atendi clientes históricos, amigos próximos dos controladores, parentes dos próprios banqueiros.
Um dia, fui chamado à diretoria, instalada no último andar, junto à cobertura com vista privilegiada para a Igreja da Candelária. A paisagem era tão imponente quanto simbólica.
Na sala de reuniões, encontrei Jorge Guinle. Figura lendária das colunas sociais, o “Jorginho”, como era conhecido, confiou-me a administração de sua fortuna pessoal. Foi uma das missões mais gratificantes da minha trajetória — não pelo patrimônio envolvido, mas pela amizade que nasceu dali.
Suas histórias, seu olhar sobre o mundo e sua inteligência afiada dariam, sozinhos, um livro inteiro. E darão. Falarei sobre ele, no meu próximo artigo, que é um dos capítulos do livro que escrevo e pretendo publicar, no final de 2026, com o título ” Crônicas de um mercado sem pudor “.
Na sala de reuniões, encontrei Jorge Guinle. Figura lendária das colunas sociais, o “Jorginho”, como era conhecido, confiou-me a administração de sua fortuna pessoal. Foi uma das missões mais gratificantes da minha trajetória — não pelo patrimônio envolvido, mas pela amizade que nasceu dali.
Suas histórias, seu olhar sobre o mundo e sua inteligência afiada dariam, sozinhos, um livro inteiro. E darão. Falarei sobre ele, no meu próximo artigo, que é um dos capítulos do livro que escrevo e pretendo publicar, no final de 2026, com o título ” Crônicas de um mercado sem pudor “.





