
Minha convidada dessa semana é a cantora e atriz Helga Nemetik. Nascida e criada em Madureira, na cidade do Rio de Janeiro, formada em canto lírico e popular pela Escola de Música Villa-Lobos, e, ainda cursou aulas de jazz e balé na Faculdade de Dança Angel Vianna. Formada pela Whitechapel’s Academy Drama School, em Londres, em 2001. Suas primeiras aulas de teatro foram em 1999, no O Tablado. Como cineasta dirigiu quatro curtas-metragens e um documentário. No último dia 15, Helga estreou, no Rio, ao lado de Lucinha Lins e grande elenco, o espetáculo “Fafá de Belém – Musical”. “O musical está sendo um grande desafio para encontrar o timbre da voz”, explica ela.
Em 2002 Helga foi umas 6 mil candidatas para participar do reality show musical Popstars realizado pelo SBT em parceria com o canal Disney Channel, foi convocada para a seletiva no sambódromo do Anhembi em São Paulo, chegou a passar para as etapas seguintes, mas foi eliminada.
Em 2006 integrou o time de humoristas do programa humorístico da Rede Globo Zorra Total permanecendo até 2015. Além disso em 2022 foi anunciada como uma das atrizes convidadas da versão brasileira do espetáculo da Broadway Spamalot. A atriz foi convidada a interpretar uma das protagonistas do musical ao lado de Leão Lobo e Beto Sargentelli. Confira nosso bate-papo.
JP – Olá Helga! Como está sendo realizar a Fafá-cantora no espetáculo “Fafá de Belém, o Musical”?
Está sendo um super desafio, encontrar o timbre da voz, a risada. Mas me sinto muito honrada em interpretar essa mulher que é uma força da natureza.
JP – Como foi a sua preparação para interpretar a Fafá-cantora?
Tenho feito um trabalho de muita pesquisa e laboratório , ouvindo muitas entrevistas, muitas referências , todas as gravações, clipes, tudo para chegar mais próximo da voz cantada e de sua risada tão característica e tão maravilhosa .
JP – O que mais te chama atenção na Fafá-cantora?
Ela acreditar na própria verdade, escolher a narrativa que quer contar em suas canções , ela me ensina muito sobre o legado artístico que queremos deixar . Além de sua voz linda e inconfundível, me encanta a força com que ela canta , uma voz que sai da alma.
JP – Quando falamos de Fafá de Belém remetemos diretamente ao processo de redemocratização do Brasil, quando ela interpretou o hino nacional brasileiro. Essa relação da cantora com a política, momento da sua trajetória, como será retratado no musical?
Teremos tudo isso no musical, as diretas já, o Hino, todas sua trajetória política vai estar presente na dramaturgia de uma forma incrivelmente emocionante.
JP – O que mais te fascina para atuar num musical?
O fato de poder juntar a atuação , canto e dança , que são coisas que sempre amei fazer, desde criança .
JP – Quando você começou a se interessar em ser atriz?
Desde criança . Eu pegava o disco “Os saltimbancos”, do Chico Buarque , e ficava fazendo todos os personagens em frente ao espelho. Inclusive Lucinha Lins , que faz a Gata no disco , está comigo no musical, e isso para mim é muito mágico , porque eu a amo desde então.
JP – Como se deu a sua formação?
Fiz tablado. Depois fui para Londres estudar teatro musical. Também estudei música na Escola Villa Lobos.
JP – Quais são as suas principais referências (teóricas e práticas) no campo das artes cênicas?
Minhas referências teóricas acabaram se misturando conforme eu fui estudando. Stanislavski que foca na verdade do ator, Grotowski que foca na ação física , e por aí vai. E na prática , a gente vai se desenvolvendo de acordo com os trabalhos que vão surgindo, os diretores que cruzamos. No início da minha carreira, por exemplo, eu fiz parte de companhia teatral , a Cia Enviezada, criada pelo Diretor Zé Alex, que me ensinou muito. Então o teatro de grupo tem um influência muito grande sobre mim, o senso de coletividade, de autonomia criativa, isso tudo acaba fazendo a gente desenvolver nosso próprio método.
JP – Qual texto teatral clássico você gostaria de interpretar? Justifique.
Poxa são tantos, difícil escolher um… Mas eu nunca interpretei Nelson Rodrigues, por exemplo, tenho esse desejo há bastante tempo.
JP – Quais são os seus projetos futuros?
Esse ano de 2026 eu fico com Fafá de Belém , no primeiro semestre, e estou batalhando para trazer meu monólogo, o “Não conta pra ninguém”, para o Rio de Janeiro. Estreei em São Paulo em 2024 e fiz circulação pelo interior de SP em 2025, através do edital do cetro cultural FIESP. Agora eu preciso muito trazer esse espetáculo para minha cidade, ele fala sobre um abuso que sofri na infância.
Esse ano também tenho estreia no cinema, meu primeiro longa-metragem como protagonista entra em cartaz a partir de 26/02 , o filme se chama “A Miss” e tem o roteiro e direção de Daniel Porto. Também participo do filme “O advogado de Deus”, de Wagner de Assis, que estreia no primeiro semestre desse ano.





