
Antropólogo, educador, pensador de um país ainda por se completar, Darcy não aceitava a mediocridade como destino nacional. Pensava o Brasil como civilização original — mestiça, criativa, singular.
Viveu entre povos indígenas, não como observador distante, mas como participante atento. Defendeu suas culturas quando ainda eram tratadas como resquício do passado, e não como fundamento da identidade brasileira.
Foi ministro da Educação no período parlamentarista do governo de João Goulart — arranjo político imposto para viabilizar sua posse. Naquele gabinete plural, que também contava com meu pai no Ministério do Trabalho, Darcy já deixava claro que educação não era política setorial: Era projeto de nação.
Fundou a Universidade de Brasília, concebida como espaço moderno, interdisciplinar, livre. A UnB nasceu sob sua inspiração como laboratório intelectual de um Brasil que queria pensar grande.
Exilado após 1964, transformou o desterro em expansão intelectual. Atuou na América Latina, pensou reformas educacionais, escreveu obras fundamentais como O Povo Brasileiro, síntese ousada sobre nossa formação histórica.
Darcy não era homem de meias palavras. Tinha convicções fortes, estilo apaixonado, certa dose de utopia — e coragem intelectual rara.
Acreditava que o Brasil não era um erro histórico, mas uma promessa inacabada.
Três décadas após sua morte, sua pergunta permanece atual:
que projeto de país queremos ser?
Darcy Ribeiro pensava grande. Pensava mestiço. Pensava futuro.
E isso, por si só, já o torna indispensável à nossa memória.



