
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de Cinema – Colunista convidado.
Tenho publicado nas mídias sociais a série “Personagens que caminharam com JPN (João Pinheiro Neto, meu pai e ex-ministro do Trabalho e ex-presidente da Supra, no governo de João Goulart) e o material será transformado em livro.
Na série, a publicação sobre Leonel Brizola (idealizador do Sambodrómo, junto com Darcy Ribeiro ) revelou algo impressionante: Uma avalanche de elogios e, ao mesmo tempo, de acusações. Poucos nomes na história brasileira dividem tanto.
Brizola viveu vitórias e derrotas políticas. Governou, mobilizou multidões, influenciou rumos acionais. Mas, por trás do líder havia um homem permanentemente cercado.
O golpe de 1964 não lhe tirou apenas o mandato. Tirou-lhe o chão.
O exílio começou no Uruguai. Não como escolha estratégica, mas como necessidade imediata. Ali tentou reconstruir alguma normalidade. Mas a América do Sul tornava-se um território coordenado de repressão. A Operação Condor avançava. O cerco fechava.
Teve que sair às pressas novamente. Argentina. Novas incertezas. Novos riscos. Nenhum descanso.
Não era apenas um político distante da pátria. Era um homem sem porto seguro.
Sem passaporte brasileiro. Sem proteção formal. Dependendo de amigos, de solidariedade, de admiradores que o ajudavam a sobreviver. Conseguiu um passaporte português. Refugiou-se nos Estados Unidos. A interlocução com setores democratas, no período de Jimmy Carter, ofereceu alguma margem de segurança.
Mas segurança não é paz.
Seus filhos cresceram longe do país, carregando o sobrenome que despertava medo em uns e ódio em outros. Dona Neuza viveu a rotina silenciosa das malas sempre prontas, da tensão constante, da vida interrompida.
Ninguém sabe o que é ser filho de um homem que o próprio país transformou em ameaça.
Exílio não é vIagem. É desenraizamento.
É viver com a sensação de que qualquer estabilidade é provisória.
Por que tanto medo de Brizola?
Porque ele não fazia concessões.
Não modulava convicções para caber no momento. Não negociava princípios em troca de conforto. Sua coerência era incômoda. E regimes — autoritários ou disfarçadamente democráticos — temem os que não cedem.
Ele gostava de dizer: “Sou que nem massa de pão, quanto mais batem, mais eu cresço.”
Essa frase não era retórica. Era sobrevivência.
Quando voltou ao Brasil, ainda tentaram lhe subtrair a vitória nas eleições de 1982 no Rio de Janeiro. Mesmo na redemocratização, a desconfiança e a resistência contra ele persistiam.
Brizola nunca teve uma vida tranquila..Teve uma vida inteira de enfrentamento.
Amado intensamente. Odiado com a mesma intensidade.
Mas, independentemente de concordâncias políticas, há algo que se impõe. Brizola e sua família pagaram um preço humano altíssimo.
Uma nação que expulsa seus próprios líderes para sobreviver a si mesma precisa, ao menos, reconhecer o sacrifício.
Algumas biografias se medem por cargos.
Outras se medem pela resistência diante da adversidade.
A de Leonel Brizola é feita de exílio, perseguição e persistência.
E isso, por si só, exige respeito.
O golpe de 1964 não lhe tirou apenas o mandato. Tirou-lhe o chão.
O exílio começou no Uruguai. Não como escolha estratégica, mas como necessidade imediata. Ali tentou reconstruir alguma normalidade. Mas a América do Sul tornava-se um território coordenado de repressão. A Operação Condor avançava. O cerco fechava.
Teve que sair às pressas novamente. Argentina. Novas incertezas. Novos riscos. Nenhum descanso.
Não era apenas um político distante da pátria. Era um homem sem porto seguro.
Sem passaporte brasileiro. Sem proteção formal. Dependendo de amigos, de solidariedade, de admiradores que o ajudavam a sobreviver. Conseguiu um passaporte português. Refugiou-se nos Estados Unidos. A interlocução com setores democratas, no período de Jimmy Carter, ofereceu alguma margem de segurança.
Mas segurança não é paz.
Seus filhos cresceram longe do país, carregando o sobrenome que despertava medo em uns e ódio em outros. Dona Neuza viveu a rotina silenciosa das malas sempre prontas, da tensão constante, da vida interrompida.
Ninguém sabe o que é ser filho de um homem que o próprio país transformou em ameaça.
Exílio não é vIagem. É desenraizamento.
É viver com a sensação de que qualquer estabilidade é provisória.
Por que tanto medo de Brizola?
Porque ele não fazia concessões.
Não modulava convicções para caber no momento. Não negociava princípios em troca de conforto. Sua coerência era incômoda. E regimes — autoritários ou disfarçadamente democráticos — temem os que não cedem.
Ele gostava de dizer: “Sou que nem massa de pão, quanto mais batem, mais eu cresço.”
Essa frase não era retórica. Era sobrevivência.
Quando voltou ao Brasil, ainda tentaram lhe subtrair a vitória nas eleições de 1982 no Rio de Janeiro. Mesmo na redemocratização, a desconfiança e a resistência contra ele persistiam.
Brizola nunca teve uma vida tranquila..Teve uma vida inteira de enfrentamento.
Amado intensamente. Odiado com a mesma intensidade.
Mas, independentemente de concordâncias políticas, há algo que se impõe. Brizola e sua família pagaram um preço humano altíssimo.
Uma nação que expulsa seus próprios líderes para sobreviver a si mesma precisa, ao menos, reconhecer o sacrifício.
Algumas biografias se medem por cargos.
Outras se medem pela resistência diante da adversidade.
A de Leonel Brizola é feita de exílio, perseguição e persistência.
E isso, por si só, exige respeito.




