
O espetáculo “Imagens de um c(ego)” estreia no dia 26 de fevereiro, no Teatro Glauce Rocha, espaço da Funarte no Centro do Rio de Janeiro. O desafio de enxergar o outro naquilo que ele é constitui o eixo central da proposta lançada ao público. Ele é convidado a um exercício de autocrítica e de revisão de seus próprios conceitos e atitudes, o que funciona como fio condutor da peça. Ela fica em cartaz até 22 de março, de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h.
O texto e direção de “Imagens de um c(ego)” são de Paula Wenke, artista multimídia e criadora do Teatro dos Sentidos, e também atriz da montagem. Esta apresenta a história de dois personagens profundamente contrastantes: Óscar, vivido pelo ator cego Oscar Capucho, é um personagem igualmente cego — e dotado de grande capacidade perceptiva. Já Boca Berreiro, interpretado por Kakau Berredo, é psicologicamente cego, narcisista e incapaz de enxergar o outro para além de si mesmo.
Eles se encontram em uma sala de testes, aguardando uma seleção para o próximo projeto da enigmática Godiva, artista superpatrocinada, que se torna famosa ao ter encontrado Elvis Presley vivo nas ilhas da Polinésia e com ele ter tido um filho. A personagem chega ao Brasil para montar um novo espetáculo musical, inspirado em seu manifesto “A naditude é a todificação do nada”, e busca atores para sua nova criação. Sua figura dá impulso aos desejos e expectativas desses dois indivíduos, cada um deles suspenso na esperança de finalmente “ganhar vida” por meio de um papel.
Apesar do objetivo comum, Óscar e Boca Berreiro rapidamente percebem o quanto pensam de modo distinto. A partir disso, são estabelecidos polos opostos, que se confrontam, em uma relação marcada por um conflito contínuo e áspero. Ela caminha das divergências mais simples às mais profundas – por exemplo, as crenças no divino. Cheio de ironias e contradições, o texto constrói um diálogo intenso — ora divertido, ora denso e, por vezes, aterrador — sobre deficiência, identidade e percepção. Tudo ocorre enquanto ambos esperam Godiva, estabelecendo uma referência direta à obra “Esperando Godot”, de Samuel Beckett.
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