
JP – Olá Ronnie! Como se deu a sua inserção no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ)?Minha entrada no Theatro Municipal se deu em 2021, como assessor, e desde o primeiro contato fiquei profundamente impactado. É impossível não se deslumbrar ao adentrar um espaço que carrega tanta história, arte e simbolismo para o Rio de Janeiro e para o Brasil. No início, atuei em áreas mais operacionais e administrativas, o que foi fundamental para compreender o funcionamento interno da instituição. Com o tempo, essa vivência me permitiu conhecer o Theatro de forma ampla, tanto no palco quanto nos bastidores.
JP – Quais são as funções que você executa no TMRJ?
Ao longo desses anos, passei por setores como Almoxarifado, Logística e Patrimônio. Atualmente, estou lotado no setor de Engenharia, onde atuo diretamente nos processos licitatórios, no acompanhamento técnico e na manutenção do prédio histórico e também dos Centros Técnicos de Produção do Teatro. Esse trabalho envolve desde a fase burocrática e legal até a execução prática, sempre com o cuidado necessário a um bem tombado e de valor inestimável.
JP – No centenário do Theatro houve uma grande obra de restauração. Como tem se dado a manutenção e a preservação do Theatro?
Após uma grande restauração, o verdadeiro desafio passa a ser a manutenção contínua. Preservar um edifício centenário exige planejamento, investimento e constância. Nesse sentido, é importante reconhecer que, ao longo dos últimos anos, houve um esforço institucional consistente para dar continuidade a esse cuidado. A manutenção do Theatro não se sustenta por ações isoladas, mas por uma gestão comprometida com a preservação do patrimônio público, algo que tem sido construído gradualmente, com responsabilidade e visão de longo prazo.
JP – Depois de um bom tempo haverá concurso para o Theatro. Este concurso solucionará o problema do quadro de funcionários? Justifique.
O concurso é um passo extremamente importante e necessário, mas não resolve tudo sozinho. Ele contribui para recompor quadros técnicos especializados, fundamentais para o funcionamento do Teatro. No entanto, também é preciso investir em capacitação contínua, valorização profissional e planejamento de longo prazo. O Teatro Municipal demanda profissionais altamente qualificados, tanto na área artística quanto técnica.
JP – Quais são, no seu ponto de vista, os maiores entraves ao pleno funcionamento do Theatro?
Um dos principais entraves é o acúmulo de demandas decorrente de longos períodos sem manutenção adequada. Soma-se a isso a complexidade dos processos públicos, que precisam obedecer a regras rígidas de transparência e legalidade. Muitas vezes, quem está fora não percebe que o funcionamento pleno do palco depende, antes de tudo, de um trabalho técnico silencioso e contínuo.
JP – Existe uma política pública séria que olhe para o Theatro?
O Teatro Municipal é um organismo vivo e, como todo patrimônio histórico, exige cuidado contínuo e planejamento responsável. Nos últimos anos, tem sido possível perceber um compromisso consistente da gestão pública com sua preservação e funcionamento. Esse olhar se materializa no apoio do Governo do Estado, na condução institucional da Secretaria de Cultura e na atuação da Presidência do Theatro, que compreendem a complexidade de manter vivo um equipamento cultural dessa magnitude. Quando há alinhamento, diálogo e gestão técnica, os resultados aparecem. Ainda existem desafios, mas o Theatro responde positivamente sempre que é tratado como política pública estruturante e não como ação pontual.
JP – Qual é o local do Theatro que você mais gosta? Justifique.
O salão nobre e a sala de espetáculos encantam, mas meu olhar se volta, sobretudo, para as engrenagens invisíveis do palco. É ali, abaixo da cena, entre mecanismos, estruturas e sistemas, que o Teatro revela sua complexidade técnica. A cúpula e o teto, próximos à águia — espaços restritos, acessíveis quase exclusivamente à engenharia — também me impressionam profundamente. Desses pontos elevados, percebe-se com clareza o quanto cada espetáculo é resultado de um trabalho silencioso, preciso e coletivo. São lugares onde se entende que a beleza que o público vê é sustentada por uma engenharia cuidadosa, constante e apaixonada, muito antes da abertura das cortinas.
JP – Quais são os seus planos futuros?
Meu objetivo é continuar contribuindo com o Teatro com o mesmo cuidado e responsabilidade que se dedica a um patrimônio público, garantindo que a técnica esteja sempre a serviço da cultura e da coletividade. Ao mesmo tempo, busco ampliar minha atuação no Governo do Estado, vivenciando outras áreas da administração pública, como a EMOP, o IEEA ou a Casa Civil, de forma a agregar experiência, visão sistêmica e qualificação técnica ao serviço público. Paralelamente, sigo cultivando a música, a fotografia e a fé, que reforçam minha sensibilidade, equilíbrio e compromisso humano. Acredito que servir bem ao Estado é unir competência técnica, ética e dedicação ao interesse público.




