
O meu convidado de hoje acaba de ser anunciado como coreógrafo de sua comissão de frente para o Carnaval 2027 da Acadêmicos de Santa Cruz. Marcio Moura, é ator, diretor, bailarino, diretor artístico e tem uma trajetória reconhecida pela ousadia artística e rigor técnico. O tem vasta experiência na dança e no teatro, com um entendimento profundo e claro em comunicação com o público e com o jurado, de forma direta, limpa e potente. Confira!
JP – Olá Márcio! Como você consegue conciliar o ator, diretor, bailarino, diretor artístico no carnaval em sua trajetória como artista?
Eu acho que essa conciliação nasce de duas coisas fundamentais: planejamento e equipe. É impossível estar sozinho em tantas frentes. A arte é sempre um trabalho coletivo. Ao longo da minha trajetória eu aprendi a confiar nas pessoas, a construir parcerias e a entender que cada projeto precisa de organização, tempo e respeito ao processo criativo. Ser ator, coreografo, diretor e também trabalhar no carnaval não são coisas separadas para mim. Tudo faz parte de uma mesma pesquisa sobre corpo, narrativa e emoção. O carnaval, o teatro e a dança são linguagens diferentes, mas que dialogam o tempo todo dentro da minha criação artística.
JP – Como surgiu o seu interesse em ser artista?
Meu interesse pela arte surgiu muito cedo. Sempre fui um jovem muito ligado à expressão, à música, ao movimento e à imaginação. A arte apareceu para mim como um espaço de liberdade e também de descoberta do mundo.
Com o tempo, fui entendendo que aquilo que inicialmente era apenas um encantamento poderia se transformar em profissão. E foi assim que comecei a buscar formação, estudo e experiências que me permitissem construir uma trajetória sólida dentro das artes cênicas.
JP – Como se deu a sua formação como ator e bailarino?
Como ator fui buscar cursos que pudessem me dar um caminho artistico. Nesse processo fiz CAL (Casa das Artes de Laranjeiras ) e em seguida UNI RIO. Já a dança entraria na minha vida como um acréscimo de experiencias para o teatro. Só que virou uma paixão que me levou ao Centro de Artes Nós da Dança e depois a formação universitária na Uniasselvi.
JP – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) na área?
Por ter tido a sorte de ter na minha trajetória de vida o teatro de grupo, são as cias que viraram referencias : desde La Mínima, Teatro de Anônimo, Parlapatões (Cias que em algum momento já foram parceiras do Etc. e Tal ) e na dança a expressividade do Grupo Corpo ; do Ballet Folclórico da Bahia e Quasar.
JP – Como se deu a criação da companhia teatral Etc e Tal? Quem a integra?
Foi muito natural. Eu e Álvaro (Assad) éramos contemporâneos na CAL. E fui convidado por ele para trabalhar com feiras de livros como contadores de histórias. Assim foi nosso inicio: parceira de livrarias . De la pra cá passaram mais de 30 anos e hoje retornamos a configuração inicial da cia : nós dois . Rodeados de uma equipe técnica primorosa.
JP – Quais são as características do fazer teatral da Companhia?
Vivemos a tríade: teatro – mimica – humor. Essa é base de nosso trabalho e de nossa pesquisa. Os muitos anos de convivência nos dão a tranquilidade de saber que caminhos queremos trilhar , sem nunca perder o objetivo do novo!
JP – Quais foram as principais produções teatrais da Companhia?
Somos uma cia de repertório . Todos os nosso espetáculos estão ativos . Fazemos a qualquer tempo e hora. Desde o “ Fulano e Sicrano” nosso primeiro espetáculo até o recém criado Dom Quixote. 11 obras que tenho igual orgulho.
JP – Como surgiu o projeto da peça teatral Dom Quixote?
A Ideia de montar um clássico , sem palavras . E que desafio! Adaptar um texto de Cervantes para uma obra pantomímica. Montagem que ganhou força quando fomos agraciados com o Fluxos Fluminenses, edital que deu suporte à criação .
9- Quais são as novidades no campo da encenação teatral que vocês apresentam na supracitada peça?
Acho que nossa ficha técnica é a grande responsável por essas novidades. Posso citar que o visagismo de Cleber de Oliveira nos colocou em outro lugar de atuação. As próteses nos distanciam dos atores que somos e nos leva a outro patamar.
10- Quais são os seus projetos futuros?
Temos no Etc e Tal muito o que fazer esse ano. Uma agenda cheia de circulações nacionais com nossos espetáculos. Na dança, me sinto inspirado em criar uma nova obra retratando a religiosidade do povo brasileiro .No carnaval, continuar o trabalho lindo da Viradouro que nos levou ao campeonato de 2026!! E seguir acreditando no poder transformador da Cultura .




