
Com o fim do Verão, muitas mulheres passam a perceber sinais incômodos na região íntima, como ardor, irritação e ressecamento. Situações comuns da estação, como permanecer com roupas úmidas por mais tempo, seja após a praia ou treinos, criam um ambiente propício para alterações que vão além de um desconforto pontual.
Entre os sintomas mais frequentes estão coceira persistente, ardor ao urinar, corrimento mais espesso e sensação de irritação. Esses sinais estão frequentemente associados a quadros de candidíase recorrente, especialmente quando há exposição prolongada ao calor e à umidade. Esse cenário favorece o desequilíbrio da microbiota vaginal, permitindo a proliferação de fungos com mais facilidade e aumentando a chance de repetição das crises em quem já tem predisposição.
Nesses casos, tratar apenas os episódios isolados pode não ser suficiente. A abordagem precisa considerar a restauração do equilíbrio do tecido íntimo e o fortalecimento da mucosa vaginal, com estratégias que atuem na base do problema. Entre as opções, terapias com laser têm sido utilizadas com foco na regeneração da mucosa e na recomposição da microbiota, contribuindo para a redução de novos episódios.
Conversamos sobre o assunto com o ginecologista Guilherme Henrique Santos, da Onne Clinic (RJ). Confira!
JP – Por que o calor e a umidade favorecem o desequilíbrio da microbiota vaginal?
JP – Quais sinais indicam que o quadro pode ser uma candidíase recorrente e não apenas um episódio isolado?
Quando os episódios se repetem com frequência, geralmente quatro ou mais vezes ao longo de um ano, já consideramos um quadro de recorrência. Além disso, sintomas como coceira intensa, ardor, corrimento esbranquiçado mais espesso e sensação de irritação que retornam após tratamentos aparentemente eficazes são sinais de alerta. Outro ponto importante é a persistência ou rápida recidiva dos sintomas, mesmo após o uso correto de antifúngicos.
JP – Por que tratar apenas os sintomas não resolve definitivamente em alguns casos?
O tratamento focado apenas nos sintomas costuma controlar o episódio agudo, mas não necessariamente corrige os fatores que levaram ao desequilíbrio da microbiota vaginal. Questões como alterações do pH, fragilidade da mucosa, uso frequente de antibióticos, estresse e até hábitos do dia a dia podem contribuir para a recorrência. Sem abordar essas causas de base, o ambiente vaginal continua suscetível, favorecendo novos episódios ao longo do tempo.
4 – Como funcionam, na prática, as terapias com laser para a saúde íntima feminina?
– As terapias com laser atuam promovendo estímulo controlado na mucosa vaginal, favorecendo a regeneração do tecido, melhora da vascularização e aumento da produção de colágeno local. Esse processo contribui para o fortalecimento da barreira mucosa e para a restauração de um ambiente mais equilibrado, o que pode auxiliar na redução da recorrência de infecções e no alívio de sintomas como ressecamento e irritação. É uma abordagem complementar, indicada de forma individualizada, sempre após avaliação ginecológica.
—






