
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
Entre o controle e a abertura, João Pinheiro Neto viu um sistema que já anunciava suas próprias contradições
Em agosto de 1960, João Pinheiro Neto partiu para Moscou.
Não era turismo. Era observação.
Queria entender o outro lado do mundo.
Não, a propaganda. Mas, a realidade.
Partiu de Paris, em voo da Aeroflot. Chegava ao centro do sistema soviético.
Mas logo percebeu algo.
Era observado.
A polícia secreta da União Soviética, naquele tempo, a KGB, não aparecia.
Mas estava presente.
Meu pai, recebido por uma guia, percorreu a cidade.
Ou o que lhe permitiam ver.
Moscou não era aberta.
Era controlada.
Pouca gente falava.
O silêncio era regra.
Joao Pinheiro Neto queria conhecer o cidadão soviético.
Saber o que pensava.
Sobre a vida, a liberdade. Não conseguiu. O sistema não permitia.
Mas viu sinais. Filas. Escassez.
Privilégios da elite do regime. Uma sociedade organizada. Mas, desigual à sua maneira.
E, algo chamava atenção. Teatros cheios. Crítica surgindo. Ainda tímida. Mas, existente.
Seu olhar não foi simplista.
Não viu apenas um regime fechado.
Viu um sistema em movimento.
Identificou em Nikita Khrushchev ( secretário-geral do Partido Comunista entre 1958 e 1964) uma tentativa de abertura. Gradual.
Mais consumo. Menos rigidez.
Imaginou uma síntese. Entre socialismo e capitalismo.
Mas viu, o limite. A linha dura estava lá.E, reagiria.
A crise de Cuba confirmaria isso.
Sob pressão de John F. Kennedy, a URSS recuou.
E, Leonid Brejnev ( secretário-geral do Partido Comunista entre 1964 e 1982) consolidou o retrocesso.
Dessa viagem de meu pai à União Soviética, nasceu o livro “URSS, uma advertência”. Publicado no segundo semestre de 1960. Com prefácio de Juscelino Kubitschek.
O título não era retórico. João Pinheiro Neto viu um alerta.
Um sistema que tentava mudar sem se reformar.
Porque sistemas que não se reformam, acabam se rompendo.
Não era turismo. Era observação.
Queria entender o outro lado do mundo.
Não, a propaganda. Mas, a realidade.
Partiu de Paris, em voo da Aeroflot. Chegava ao centro do sistema soviético.
Mas logo percebeu algo.
Era observado.
A polícia secreta da União Soviética, naquele tempo, a KGB, não aparecia.
Mas estava presente.
Meu pai, recebido por uma guia, percorreu a cidade.
Ou o que lhe permitiam ver.
Moscou não era aberta.
Era controlada.
Pouca gente falava.
O silêncio era regra.
Joao Pinheiro Neto queria conhecer o cidadão soviético.
Saber o que pensava.
Sobre a vida, a liberdade. Não conseguiu. O sistema não permitia.
Mas viu sinais. Filas. Escassez.
Privilégios da elite do regime. Uma sociedade organizada. Mas, desigual à sua maneira.
E, algo chamava atenção. Teatros cheios. Crítica surgindo. Ainda tímida. Mas, existente.
Seu olhar não foi simplista.
Não viu apenas um regime fechado.
Viu um sistema em movimento.
Identificou em Nikita Khrushchev ( secretário-geral do Partido Comunista entre 1958 e 1964) uma tentativa de abertura. Gradual.
Mais consumo. Menos rigidez.
Imaginou uma síntese. Entre socialismo e capitalismo.
Mas viu, o limite. A linha dura estava lá.E, reagiria.
A crise de Cuba confirmaria isso.
Sob pressão de John F. Kennedy, a URSS recuou.
E, Leonid Brejnev ( secretário-geral do Partido Comunista entre 1964 e 1982) consolidou o retrocesso.
Dessa viagem de meu pai à União Soviética, nasceu o livro “URSS, uma advertência”. Publicado no segundo semestre de 1960. Com prefácio de Juscelino Kubitschek.
O título não era retórico. João Pinheiro Neto viu um alerta.
Um sistema que tentava mudar sem se reformar.
Porque sistemas que não se reformam, acabam se rompendo.
Foto ( acervo de família): João Pinheiro Neto, em 1960.






