Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária” – Colunista convidado.
Ao revisitar Gustavo Capanema em “Bons e Maus Mineiros” Mauad 1996, João Pinheiro Neto formula uma crítica que continua atual e incômoda. Reconhece no ex-ministro de Getúlio Vargas um homem culto, refinado, sensível às artes, mas aponta nele um erro histórico decisivo: ter conduzido a educação brasileira como projeto de elite, ignorando a alfabetização popular.
“Gustavo Capanema, tido como humanista, homem culto e educado”, escreve João Pinheiro Neto, teve a virtude de perceber talentos como Portinari, Drummond e Niemeyer. Soube prestigiar artistas e intelectuais, e sob sua gestão o Ministério da Educação tornou-se símbolo de modernidade arquitetônica.
Mas João Pinheiro vai ao ponto central: “A longa gestão do honrado e culto Gustavo Capanema à frente do Ministério da Educação caracterizou-se por um elitismo alienado.” E completa, sem rodeios: “Nenhuma preocupação com o ensino básico, com a alfabetização do povo brasileiro, até hoje mantido, deliberadamente, na ignorância.”
A acusação é grave e histórica. Para ele, o Brasil perdeu a chance de transformar sua estrutura social quando preferiu erguer monumentos modernos em vez de investir pesadamente na educação de base. “O Brasil seria hoje realmente uma grande nação se, em lugar do prédio modernista do Ministério da Educação, tivéssemos investido maciçamente na educação de nosso povo.”
É nesse ponto que Paulo Freire surge como o contraponto inevitável.
Se Capanema simboliza a educação desenhada para a elite ilustrada, Paulo Freire representa a pedagogia voltada aos excluídos. Freire não pensava a alfabetização como ornamento cultural, mas como instrumento de emancipação política. Seu método partia do cotidiano do povo, transformando o ato de ler em ato de consciência.
Enquanto Capanema consolidava um ministério admirado por arquitetos e intelectuais, Freire levava a palavra aos camponeses, operários e analfabetos, exatamente aqueles que o Estado brasileiro historicamente abandonou.
João Pinheiro Neto não precisava citar Paulo Freire para que sua crítica apontasse nessa direção. Ao denunciar o “elitismo alienado” de Capanema, expõe o modelo de país que preferiu formar salões cultos em vez de cidadãos alfabetizados.
O contraste entre ambos revela duas ideias opostas de Brasil.
Uma acredita que cultura é patrimônio da elite.
A outra entende que educação só cumpre seu papel quando chega primeiro aos que nunca tiveram acesso a ela.
O fracasso brasileiro talvez esteja justamente aí: tivemos ministros cultos, prédios monumentais e belas fachadas modernas, mas faltou o essencial — alfabetizar o povo para que ele pudesse, enfim, escrever sua própria história.
“Gustavo Capanema, tido como humanista, homem culto e educado”, escreve João Pinheiro Neto, teve a virtude de perceber talentos como Portinari, Drummond e Niemeyer. Soube prestigiar artistas e intelectuais, e sob sua gestão o Ministério da Educação tornou-se símbolo de modernidade arquitetônica.
Mas João Pinheiro vai ao ponto central: “A longa gestão do honrado e culto Gustavo Capanema à frente do Ministério da Educação caracterizou-se por um elitismo alienado.” E completa, sem rodeios: “Nenhuma preocupação com o ensino básico, com a alfabetização do povo brasileiro, até hoje mantido, deliberadamente, na ignorância.”
A acusação é grave e histórica. Para ele, o Brasil perdeu a chance de transformar sua estrutura social quando preferiu erguer monumentos modernos em vez de investir pesadamente na educação de base. “O Brasil seria hoje realmente uma grande nação se, em lugar do prédio modernista do Ministério da Educação, tivéssemos investido maciçamente na educação de nosso povo.”
É nesse ponto que Paulo Freire surge como o contraponto inevitável.
Se Capanema simboliza a educação desenhada para a elite ilustrada, Paulo Freire representa a pedagogia voltada aos excluídos. Freire não pensava a alfabetização como ornamento cultural, mas como instrumento de emancipação política. Seu método partia do cotidiano do povo, transformando o ato de ler em ato de consciência.
Enquanto Capanema consolidava um ministério admirado por arquitetos e intelectuais, Freire levava a palavra aos camponeses, operários e analfabetos, exatamente aqueles que o Estado brasileiro historicamente abandonou.
João Pinheiro Neto não precisava citar Paulo Freire para que sua crítica apontasse nessa direção. Ao denunciar o “elitismo alienado” de Capanema, expõe o modelo de país que preferiu formar salões cultos em vez de cidadãos alfabetizados.
O contraste entre ambos revela duas ideias opostas de Brasil.
Uma acredita que cultura é patrimônio da elite.
A outra entende que educação só cumpre seu papel quando chega primeiro aos que nunca tiveram acesso a ela.
O fracasso brasileiro talvez esteja justamente aí: tivemos ministros cultos, prédios monumentais e belas fachadas modernas, mas faltou o essencial — alfabetizar o povo para que ele pudesse, enfim, escrever sua própria história.
Foto ( acervo Henrique Pinheiro):
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