
Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta”, com 45 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e internacional, Henrique Pinheiro mandou para o prelo “Crônicas de um Mercado sem Pudor”, que revela os bastidores da área econômica, no governo militar, como o caso Coroa-Brastel (1982), entre outros escândalos praticados por personagens que deram apoio à ditadura, entre 1964 e 1985.
Executivo do Mercado Financeiro, Henrique Pinheiro começou na Corretora Laureano (vendida, depois, para a Coroa-Brastel), no final dos anos 70, passou pelo Banco Boavista,
e trabalhou em instituições como Merrill Lynch e Wells Fargo. Atua, atualmente, na Bolton Global Capital, em Miami.
“Eu escrevi essas crônicas porque ficou impossível fingir surpresa com escândalos recorrentes. Em 2026, casos como o atual escândalo do Banco Master, não são acidentes, são a repetição de um modelo baseado em incentivos perversos, conflitos de interesse tolerados e produtos vendidos sem transparência, sempre com a expectativa de que o prejuízo não ficará com quem tomou o risco. O livro mostra como essas práticas se repetem há décadas. A ideia é pedagógica e incômoda: tirar o verniz técnico de um mercado que se esconde na complexidade e só reage quando já é tarde”, disse Henrique Pinheiro.
Além de textos que revelam segredos e desmitificam o mercado financeiro, há dois capítulos, no livro, que falam carinhosamente, de dois personagens da sociedade carioca, que Henrique conheceu no tempo em que trabalhou no Banco Boavista, Jorginho Guinle e Baby Monteiro de Carvalho.
“Jorginho Guinle era mais do que um cliente. Foi amigo, confidente e personagem central de um período que me marcou profundamente. Quando o cofre, finalmente, esvaziou Jorge procurou o primo, Francisco de Paula Machado , acionista do banco e, então, presidente do Jockey Club Brasileiro. Na prática, queria um empréstimo pessoal do primo. Francisco achou que seria melhor um empréstimo formal, concedido pelo banco. Esse empréstimo virou o pesadelo de Jorge e o pano de fundo de nossos almoços. O problema era simples e cruel. Os juros bancários cresciam de forma exponencial. Jorge não teria condições de pagar. Logo depois, o Boavista entrou em dificuldade de liquidez. O comprador, curiosamente, já estava escolhido. Era o Banco Interatlântico. Uma sociedade entre o Banco Espírito Santo, o francês Crédit Agricole e o Grupo Monteiro Aranha. O Monteiro Aranha era presidido por Joaquim Monteiro de Carvalho, o Baby, amigo de infância de Jorginho. Com a chegada do Interatlântico, os créditos podres do Boavista foram baixados a prejuízo. Assim, Jorginho foi libertado de uma dívida impagável. Sorte? Acaso? Destino? Talvez tudo isso”, lembra Henrique, em um dos capítulos.
A capa e a contracapa do livro têm a assinatura da arquiteta e designer Clara Gueiros.
O lançamento, em setembro, será, a princípio, pela Amazon, em formato digital. A edição impressa estará nas livrarias até janeiro de 2027.













