
Estreou “Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos” no teatro Poeira.
A produção é de Rodrigo Penna.
Adaptação, concepção e direção geral é de Rodrigo Penna.
O texto de Rodrigo Penna, com consultoria de roteiro de Adriana Falcão, é poético, sensível, sentimental, toca o coração, leve, suave, afetivo, terno, humanista, e contemporâneo.
O espetáculo é livremente inspirado na vida e na obra do escritor Paulo Mendes Campos (1922-1991), com olhar especial para a coletânea “O Amor Acaba – Crônicas líricas e existenciais” (1999).
A narrativa consiste em uma série de cenas e sentimentos que retratam a vida e a obra do escritor. Portanto, o texto apresenta um conjunto de narrativas, se caracterizando pela fragmentação, e não pela linearidade. Essas narrativas são construídas tendo como base a pesquisa e a seleção de crônicas inteiras, fragmentos, cartas e colunas de periódicos do escritor, que foram associadas, estabelecidas conexões entre as mesmas, e originaram o poético e criativo texto produzido por Rodrigo Penna.
O elenco é integrado por Elisa Pinheiro, Kadu Garcia e Gustavo Damasceno. Eles têm uma atuação de qualidade e digna de aplausos. Eles interpretam e emocionam. Exalam poesia e sentimentos. Eles narram, encenam e recriam no palco as sentimentais e poéticas palavras e crônicas de Paulo Mendes Campos. Nenhum deles tem um personagem definido. Todos são Paulo Mendes Campos, e ao mesmo tempo, seus personagens. Dominam o texto e o palco. Estabelecem uma boa comunicação com o público. Portanto, eles têm atuações deferidas e merecedoras de elogios.
A fala dos atores é complementada pela participação especial em vídeo dos atores Lázaro Ramos, Rodrigo Penna e Julia Lemmertz. Eles contribuem para incrementar a encenação.
A direção geral é de Rodrigo Penna que focou no texto, e concedeu plena liberdade de ação aos atores, que realizam uma atuação comovente.
A cenografia de Marcus Figueiroa e Emilia Merhy é adequada ao espetáculo, e simples. O cenário traz referências modernistas, criando ambientes do universo do escritor, como seus apartamentos em Copacabana, seus escritórios e suas janelas para o mundo. Ele é constituído por diversos painéis, mesa e cadeira, e estante de ferro. Faltou um colorido ao cenário.
O cenário dialoga com a videocenografia dos artistas Bê Leite e Rodri (TocaHub).
O figurino criado por Marie Salles é simples, adequado ao contexto da peça, impera o tom vermelho, e facilita a locomoção dos atores pelo palco.
A Iluminação de Lina Kaplan apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas do elenco.
A direção de movimento é de Márcia Rubin, que imprimiu uma intensa movimentação aos atores no palco, preenchendo todos os espaços, e dando um dinamismo à encenação.
A trilha sonora de Chico Beltrão, Daniel Roland e Rodrigo Penna é adequada e funcional. Explora sonoridades pop e dialoga com um público amplo.
A montagem é simples, e não sofisticada; apresenta um texto poético e sentimental, produto de uma profunda pesquisa; e uma atuação de qualidade e comovente do elenco.
Excelente produção cênica!






