
Por Henrique Pinheiro – Economista e produtor executivo do documentário “Terra Revolta-João Pinheiro Neto”, autor de “Crônicas de um Mercado sem Pudor” – Colunista convidado.
Milton Santos foi um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX, mas passou boa parte da vida sendo mais reconhecido fora do Brasil do que dentro dele.
Preso e cassado pela ditadura militar em 1964, viveu 13 anos no exílio. Enquanto aqui era visto como um intelectual incômodo, universidades da França, Canadá, Estados Unidos e África abriam espaço para suas aulas e pesquisas.
Em 1994, veio a consagração internacional. Milton Santos recebeu na França o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”.
Em 1994, veio a consagração internacional. Milton Santos recebeu na França o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”.
Até hoje, é o único brasileiro a conquistar a maior premiação mundial da área.
Mas Milton Santos nunca foi um geógrafo tradicional. Sua geografia não era a dos mapas decorados, dos rios ou das capitais ensinadas mecanicamente nas escolas. Milton estudava poder.
Estudava como o dinheiro reorganiza cidades, como a pobreza é empurrada para as periferias e como a globalização concentra riqueza em poucos lugares enquanto abandona milhões de pessoas.
Muito antes das redes sociais, da uberização ou da inteligência artificial, ele já alertava para um mundo onde tecnologia e finanças ampliariam desigualdades e tornariam o trabalho mais precário.
Talvez por isso sua obra pareça tão atual hoje.
E existe uma coincidência interessante nessa história. Algo parecido aconteceu com Celso Furtado (1920–2004). Um dos maiores economistas brasileiros do século XX, criador da Sudene e referência mundial nos estudos sobre subdesenvolvimento, também precisou deixar o país após o golpe de 1964 e acabou reconhecido primeiro no exterior.
Mas Milton Santos nunca foi um geógrafo tradicional. Sua geografia não era a dos mapas decorados, dos rios ou das capitais ensinadas mecanicamente nas escolas. Milton estudava poder.
Estudava como o dinheiro reorganiza cidades, como a pobreza é empurrada para as periferias e como a globalização concentra riqueza em poucos lugares enquanto abandona milhões de pessoas.
Muito antes das redes sociais, da uberização ou da inteligência artificial, ele já alertava para um mundo onde tecnologia e finanças ampliariam desigualdades e tornariam o trabalho mais precário.
Talvez por isso sua obra pareça tão atual hoje.
E existe uma coincidência interessante nessa história. Algo parecido aconteceu com Celso Furtado (1920–2004). Um dos maiores economistas brasileiros do século XX, criador da Sudene e referência mundial nos estudos sobre subdesenvolvimento, também precisou deixar o país após o golpe de 1964 e acabou reconhecido primeiro no exterior.
O Brasil parece ter uma dificuldade histórica em reconhecer seus próprios intérpretes enquanto eles tocam no que mas a elite repudia, igual social.
O mundo, muitas vezes, e o Brasil finge não entender.
O mundo, muitas vezes, e o Brasil finge não entender.




