
Por Henrique Pinheiro – Economista e Produtor Executivo de Terra Revolta-João Pinheiro Neto, autor de Crônicas de um Mercado sem Pudor – Colunista convidado.
Perseguido pela ditadura, exilado, educador e fundador da UnB, Darcy Ribeiro(foto) dedicou a vida a pensar o Brasil e, mesmo diante da morte, recusou-se a abandonar sua obra.
Poucos brasileiros amaram tanto o Brasil quanto Darcy Ribeiro. Poucos sofreram tanto com seus fracassos. E poucos dedicaram tantos anos da própria vida tentando compreender por que um país tão rico em gente, cultura e recursos insistia em negar oportunidades à maioria de sua população.
Darcy Ribeiro (1922–1997) foi um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros do século XX. Antropólogo, educador, escritor, fundador da Universidade de Brasília, ministro da Educação e chefe da Casa Civil de João Goulart, dedicou a vida a uma pergunta que o acompanhou até os últimos dias: por que o Brasil ainda não realizou plenamente o seu destino?
Ao lado de Anísio Teixeira, ajudou a construir a Universidade de Brasília, um dos mais ousados projetos educacionais do país. Como homem público, acreditava que educação não era gasto, mas investimento. Como intelectual, recusava explicações fáceis para os problemas nacionais. Como brasileiro, jamais perdeu a esperança.
O golpe militar de 1964 interrompeu brutalmente esse projeto de país. Darcy foi perseguido, teve seus direitos políticos cassados e partiu para o exílio. Viveu em diversos países da América Latina, colaborando com governos reformistas e trabalhando ao lado de Salvador Allende. Longe de sua terra, continuou pensando o Brasil e escrevendo sobre seus desafios.
Foi no exílio que aprofundou muitas das reflexões que mais tarde dariam origem a algumas de suas obras fundamentais, entre elas O Povo Brasileiro, um dos livros mais importantes para compreender a formação histórica e cultural do país.
Darcy enxergava a educação como a grande ferramenta de transformação social. Em 1982, lançou um alerta que o tempo transformaria em profecia: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”
Quatro décadas depois, a frase continua atual.
Poucos anos mais tarde, faria outra observação igualmente contundente: “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto.”
Era a indignação de quem acreditava que o atraso brasileiro não era inevitável, mas resultado de escolhas políticas que condenavam milhões de brasileiros à exclusão.
Mas talvez a passagem mais reveladora de sua trajetória tenha ocorrido já no fim da vida.
Gravemente doente, lutando contra um câncer agressivo, Darcy sabia que o tempo estava se esgotando. Internado, tomou uma decisão que poucos teriam coragem de tomar: deixou o hospital para concluir um livro.
Poucos brasileiros amaram tanto o Brasil quanto Darcy Ribeiro. Poucos sofreram tanto com seus fracassos. E poucos dedicaram tantos anos da própria vida tentando compreender por que um país tão rico em gente, cultura e recursos insistia em negar oportunidades à maioria de sua população.
Darcy Ribeiro (1922–1997) foi um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros do século XX. Antropólogo, educador, escritor, fundador da Universidade de Brasília, ministro da Educação e chefe da Casa Civil de João Goulart, dedicou a vida a uma pergunta que o acompanhou até os últimos dias: por que o Brasil ainda não realizou plenamente o seu destino?
Ao lado de Anísio Teixeira, ajudou a construir a Universidade de Brasília, um dos mais ousados projetos educacionais do país. Como homem público, acreditava que educação não era gasto, mas investimento. Como intelectual, recusava explicações fáceis para os problemas nacionais. Como brasileiro, jamais perdeu a esperança.
O golpe militar de 1964 interrompeu brutalmente esse projeto de país. Darcy foi perseguido, teve seus direitos políticos cassados e partiu para o exílio. Viveu em diversos países da América Latina, colaborando com governos reformistas e trabalhando ao lado de Salvador Allende. Longe de sua terra, continuou pensando o Brasil e escrevendo sobre seus desafios.
Foi no exílio que aprofundou muitas das reflexões que mais tarde dariam origem a algumas de suas obras fundamentais, entre elas O Povo Brasileiro, um dos livros mais importantes para compreender a formação histórica e cultural do país.
Darcy enxergava a educação como a grande ferramenta de transformação social. Em 1982, lançou um alerta que o tempo transformaria em profecia: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”
Quatro décadas depois, a frase continua atual.
Poucos anos mais tarde, faria outra observação igualmente contundente: “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto.”
Era a indignação de quem acreditava que o atraso brasileiro não era inevitável, mas resultado de escolhas políticas que condenavam milhões de brasileiros à exclusão.
Mas talvez a passagem mais reveladora de sua trajetória tenha ocorrido já no fim da vida.
Gravemente doente, lutando contra um câncer agressivo, Darcy sabia que o tempo estava se esgotando. Internado, tomou uma decisão que poucos teriam coragem de tomar: deixou o hospital para concluir um livro.
Enquanto o corpo enfraquecia, a mente permanecia inquieta. Havia ainda uma obra a terminar, uma reflexão a concluir, uma contribuição a deixar para as gerações futuras.
A cena resume quem foi Darcy Ribeiro. Um homem que viveu para as ideias. Um intelectual que transformou conhecimento em ação. Um brasileiro que nunca desistiu do Brasil, mesmo quando o Brasil parecia desistir de si mesmo.
Darcy morreu em 1997. Mas suas perguntas continuam vivas. Seu diagnóstico sobre a educação continua atual. Seu amor pelo país continua inspirador.
Num tempo em que a política muitas vezes se limita ao próximo ciclo eleitoral, Darcy pensava em décadas. Pensava nos filhos e netos de brasileiros que sequer haviam nascido.
Talvez por isso sua obra continue tão necessária. Porque Darcy Ribeiro não pensava apenas o Brasil que existia. Pensava o Brasil que ainda poderia existir.
A cena resume quem foi Darcy Ribeiro. Um homem que viveu para as ideias. Um intelectual que transformou conhecimento em ação. Um brasileiro que nunca desistiu do Brasil, mesmo quando o Brasil parecia desistir de si mesmo.
Darcy morreu em 1997. Mas suas perguntas continuam vivas. Seu diagnóstico sobre a educação continua atual. Seu amor pelo país continua inspirador.
Num tempo em que a política muitas vezes se limita ao próximo ciclo eleitoral, Darcy pensava em décadas. Pensava nos filhos e netos de brasileiros que sequer haviam nascido.
Talvez por isso sua obra continue tão necessária. Porque Darcy Ribeiro não pensava apenas o Brasil que existia. Pensava o Brasil que ainda poderia existir.




