
Estreou Veneno no teatro do CCBB-RIO 3.
O texto de Lot Vekemans é um diálogo dramático, ficcional, tenso, conflituoso, instigante, revela cicatrizes e mágoas, visões antagônicas, memórias reativadas, humanista, leve pitada de humor num universo conflituoso, e contemporâneo.
A narrativa é desenvolvida por meio de um casal que perdeu um filho, e se perdeu; que perdeu um filho, e a si mesmos e um ao outro. Passados dez anos, os dois irão se reencontrar no cemitério, em função do recebimento de uma carta que informa que o filho falecido precisará ser removido do local onde fora sepultado, pois o solo foi contaminado com veneno.
Cléo de Páris e Alexandre Galindo têm uma atuação comovente e merecedora de elogios. Eles estão unidos, entrosados e afinados. Eles interpretam de forma refinada, e emocionam. Cléo faz uma personagem amarga, triste, inconformada, e até agressiva, que sente a morte do filho, não tendo superado o luto. Não constituiu uma nova união. Por sua vez, Galindo está resignado, construiu uma nova família e sua esposa está grávida. O falecimento do filho aconteceu, ele sentiu também, mas a vida é boa e seguiu em frente. Está até escrevendo um livro de prosa! Duas visões distintas sobre luto, sofrimento e vida.
Os dois atores dominam o texto, estabelecendo diálogos intensos, emocionantes, e apresentando um bom ritmo. Dominam o palco, preenchendo os espaços e apresentando uma boa movimentação. Estabelecem uma boa comunicação com o público. Portanto, uma atuação deferida e impactante.
A direção, produto de uma criação coletiva, focou no texto, e deixou os dois atores a vontade no palco para realizarem sua apresentação de qualidade. Mas a direção que concedeu liberdade, também intervém com momentos curtos de penumbra que servem como divisores de partes do espetáculo.
Os figurinos criados por Fabiano Menna são de bom gosto, elegantes, e facilitam a locomoção dos atores pelo palco. Eles estão vestidos com roupas de inverno, em tons creme, bege, preto e jeans.
A cenografia é mínima, bem organizada e distribuída pelo palco. No centro visualiza-se uma mesa branca e cadeiras pretas. Nas laterais observamos outras cadeiras pretas, além de um bebedor.
A iluminação é constituída por uma luz branca de lâmpadas fluorescentes o espetáculo integral.
Sentimos falta de uma trilha sonora que dialogasse com o texto.
Texto, elenco, direção, cenografia, figurinos e iluminação formam um conjunto harmônico e equilibrado, dando o tom de excelência do espetáculo.
Excelente produção cênica!






